Há algum tempo preocupado com o aumento demográfico imaginei a necessidade de um plano de controle de natalidade, regra que em verdade alguns países adotam. É sabido que aumento de população exige enorme retribuição estatal nem sempre ao alcance dos governos.
Curiosamente não cheguei a pensar na falta de comida para tanta gente, acreditando que o globo terrestre é enorme e, havendo terra bastaria plantar e colher. Ação fácil para qualquer pessoa na grande maioria das nações.
Jamais me ocorreu que algum lugar do planeta viesse a enfrentar o problema da fome que, aparentemente, aos poucos vai se aproximando.
E um país decidiu que a receita para se defender desse problema está em saborear carne de camelo.
A maior concentração de camelos selvagens imagina-se estar no deserto do Saara. Essa é a ideia para nós que estamos à distância. Os camelos estão vivendo boa vida na Austrália, onde a população de dromedários cresce enormemente ao lado dos cangurus.
Interferindo nas espécies nativas e destruindo recursos da natureza, causam prejuízo enorme a agricultura. Atualmente calcula-se em cerca de 1,2 milhão o seu número, mas a previsão é que este número deverá no mínimo dobrar em apenas oito anos. O governo australiano vem adotando providências para conter esse avanço, mas nem todos aprovam. Boa parte crê que camelos não são uma praga. Pelo contrário representam um recurso econômico para a criação de emprego e renda nas comunidades rurais.
O camelo apareceu na Austrália em 1840 para auxiliar a exploração das terras áridas no Interior. Mais tarde novos foram importados do Rajastão (Índia) para o serviço de transporte de carga. Camelos substituiam caminhões para o transporte. Com os caminhões eles deixaram de ser uteis. Em 1920, vinte mil camelos se multiplicaram. Atualmente a Austrália tem a única população de camelos do mundo ocupando área de três milhões de km², área equivalente a um terço do território dos Estados Unidos. Paddy McHugh, empresário australiano decidiu vender carne de camelo e se deu bem. Ele está fazendo campanha contra o governo que tem plano de eliminar 670 mil camelos em quatro anos a um custo de US$ 17 milhões. Nos últimos anos ele montou negócio de venda de carne de camelo e passou a exportar com bom lucro. Ao contrário ele sugere que o governo invista no negócio estimulando a exportação para atender inúmeras populações que ainda necessitam de mais alimentação.
Lauren Brisbane, pesquisadora da Australian Camel Industry Association, confirma o interesse pela carne de camelo: “Nos últimos dezoito meses recebi e-mails de 27 países pedindo leite e carne de camelo e animais vivos”. Conta ela que o maior mercado está no Oriente Médio onde camelos são valorizados como gado e sua carne considerada uma iguaria. Com alto teor de proteína e baixo colesterol a carne de camelo é ótima para a saúde. E não só a carne. Também o leite e a lã. E, acreditem, afirmam que há mercado até para a urina de camelo… A Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação calcula que o mercado mundial para leite de camelo é avaliado em US$ 10 bilhões. A Emirates Industry for Camel Milk & Products, de Dubai, já vende para mercado árabe leite de camelo da marca Camelicious e já foi aprovada pelos órgãos de saúde europeia como primeira fornecedora desse produto para a Europa.
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