Ocasionalmente tenho em mãos uma edição da revista Caras, acredito que ela veio ocupar o espaço deixado pela antiga Manchete, da Editora Bloch. É lamentável que no Brasil muitas editoras tenham curta vida. Não é difícil encontrar a resposta. Continuamos sendo uma nação com uma multidão de analfabetos. Culpa de quem? De nossos governantes. E o que vejo na revista?

Rainha Silvia, filha de brasileira casa sua herdeira! Flávia Alessandra, grávida de seis meses, na embaixada de Caras. Dois detalhes: parece moderno casar anunciando que o filho já está para nascer. Ignorava que a revista tinha embaixada. Chique, não?

Na capa desta revista sobre a qual escrevo, a princesa Victoria, da Suécia, e a rainha Silvia. Não parece estranho, neste mundo cada vez mais moderno, sob os impulso de uma tecnologia revolucionária que não para de evoluir, mas, paradoxalmente, ainda com milhões de seres humanos sofrendo e mesmo morrendo de fome, aqui ou acolá, que persista tamanha desigualdade entre as gentes? A lei diz que somos todos iguais, será que somente perante a lei? Na verdade nem isso…

Como quer que seja, certo ou errado, seja inveja ou não, lá estavam as mulheres vestidas luxuosa mas adequadamente. Os homens, porém, logo os “machões”, de casaca, ridículo, eu fico constrangido quando sou convidado para uma festa: Traje? Rigor. Fora de moda amigos. Mas sobrevive por ser elegante, diferenciado, sei lá o que… De casaca e cobertos de medalhas e condecorações, ricos colares e vários cacarecos. Eu também as tenho, imerecidas e por gentileza de colegas e amigos. Mas estão guardadas, não acho que necessitam ser exibidas. Certo ou errrado. Estou unicamente comentando, jamais censurando. Afinal, consta que vivemos num Brasil brasileiro, terra do samba e pandeiro, na qual supostamente somos todos iguais. Vez por outra me ocorre o pensamento: que será que tenho de igual ao Antonio Ermíro de Moraes, Eike Batista e outros. Peço desculpas, posso até estar invejoso, mas longe de mim qualquer intenção de ofencer. Ninguém pode ser acusado de ser rico. Contrário, deve ser elogiado desde que eticamente, nunca com a mão-do-gato.

Ah, falava de reis e rainhas. A maioria nasce nesse berço dourado, vem ao mundo já com o bolso cheio, emprego, não emprego de trabalho, chamos de função regiamente remunerada, não raramente hereditária. Sabemos que quem nasce pobre enfrenta difícil vida, ou cansa de trabalhar fazendo hora extra e cada vez maior economia ou arrisca numa das muitas loterias que diariamente enganam maior número de esperançosos. Quando algum acerta e todo mundo fica sabendo. O que não sabemos é a quantidade que perde sempre e, até mesmo, algum dinheiro cujo destino seria a alimentação. Não é só um ou dois que deixa de comprar pão para fazer uma fezinha no jogo do bicho. Que consta, é o mais sério deles. Sério? Alguém é louco de bancar qualquer tipo de jogo para perder ou não ganhar… muuuuito? Roleta, baralho, seja lá o que for. Qual é o seu número da sorte. O Zagalo diz que o dele é o 13. Mas esse era no meu tempo número do azar. Estarei perdido no tempo? Quiça? Então é bom parar de escrever…