O álbum Francis Albert Sinatra e Antonio Carlos Jobim foi o mais vendido no ano de 1967 nos Estados Unidos. Sinatra, the voice, declarou que aquele dia 30 de janeiro mudou a sua maneira de cantar. “Eu não cantava assim, tão suavemente, desde o dia em que peguei uma laringite”. O sucesso foi de tal ordem que Sinatra quis repeti-lo dois anos depois, sem obter o mesmo êxito.
Interessante que Sinatra declarou publicamente ter gravado uma música que ele não gostava: Desafinado. De 30 de janeiro a 2 de fevereiro ambos se dedicaram a gravar The girl from Ipanema. Os dois se tornaram bons amigos. Sinatra chamava Jobim de Tone. Na primeira noite Sinatra levou Jobim para jantar, acompanhado de sua mulher, Mia Farrow e pelo escritor George Plimpton. E Jobim comentou que Sinatra nos filmes parecia ser tão frágil, mas era muito forte.
A dupla se conheceu na gravadora Reprise, em Los Angeles, e Sinatra foi logo dizendo: “Eu odeio ensaiar”. Jobim quis mostrar suas novas criações mas Sinatra disse “não, quero Garota de Ipanema, Insensatez e Dindi”. Bom gosto!
Em fevereiro de 1969 Jobim estava morando na casa de Sinatra em Palm Springs, Califórnia, época em que Sinatra fazia temporada nos cassinos de Las Vegas. Emir Deodato que foi visitar Jobim saiu dizendo que Sinatra vivia cercado de gente mal encarada. Chico Batera que assistiu a um ensaio conta que o baixista tocou uma nota errada e Sinatra deu-lhe uma carraspana: “Ou você toca corretamente ou vou procurar outro baixista”.
Sinatra não gostou da letra de Desafinado. E quando Strangers in the Night se tornou hino dos gays, Sinatra se recusava a cantá-la. Curioso, parece ser um dos poucos cantores preocupados em não ser confundido com afeminados. Francis Albert Sinatra, voz incomparável. Felizmente suas interpretações ficaram gravadas e nós ainda temos o privilégio de ouvi-lo.
P.S.- Num álbum de vinte canções, Sinatra se recusou a gravar três que não lhe agradaram. Todas viraram sucesso em outras vozes.
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