Quem ainda lembra daquela música: “Eh, eh, São Paulo; São Paulo da garoa, São Paulo terra boa!”

Pois sucede que neste verão, essa cantiga caiu de moda, derrubada por grandes temporais que provocaram um alagamento atrás do outro, tumultuando o dia-a-dia dos paulistanos.

O trânsito de São Paulo, ninguém ignora, é o mais difícil do País. O mais difícil já nos dias normais, sendo fácil imaginar o quanto essa dificuldade aumenta em dias de chuva e, notadamente, de violentos temporais, instante em que todos querem se recolher o mais depressa possível às suas residências e, instante por igual em que os táxis costumam simplesmente desaparecer.

Mas São Paulo não vai olvidar este ano por algumas inovações, até determinado ponto surpreendentes.

Neste 2006, a paulicéia foi tomada de susto com o aparecimento do crime organizado, com o nome de Primeiro Comando da Capital, sigla PCC, em palavras mais claras, a máfia chegando ao nosso Brasil. Nós, pacatos curitibanos (hoje já não tanto!), não estamos ainda habituados a conviver com seqüestros relâmpago, ameaças de morte de parentes e a dor dos momentos aguardando um telefonema com o pedido de resgate.

Suplício que costumávamos viver na tranqüilidade de um poltorna de cinema, o que aliás, me faz lembrar do estimado amigo dr. Fernando Camargo, que me repetia sempre que quando o filme começava a ficar muito triste (daqueles que as pessoas gostam porque são de fazer chorar) ele imediatamente deixava o cinema. Pagar para sofrer, jamais… Mas, como fazer para evitar as enchentes de São Paulo. Costuma-se afirmar que é o preço para se viver numa cidade como tal. São Paulo, em julho, instalou 35 câmeras monitoradas pela Guarda Civil Metropolitana, sistema que alguns minutos depois de entrar em operação, recebeu o apelido de “Big Brother”. Ainda em São Paulo, na zona sul da cidade, foi anunciado a exibição do grupo mexicano de música pop RBD seguido por sessão de autógrafos. Resultado: multidão inesperada, tumulto, dezenas de feridos e, lastimável, três mortes. E o que era para ser festa acaba em dolorosas lágrimas. Será o destino ou o açodamento…

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 5/janeiro/2007