Para alguns poderá parecer espantoso, mas a verdade é que eu sou do tempo antigo. Da época em que a Rádio Nacional do Rio de Janeiro tinha tanta influência no Brasil quanto as redes de televisão no presente.
Talvez alguns ainda lembrem: quando os ponteiros do relógio se encontravam para assinalar a metade do dia, os ouvintes da Rádio Nacional tinham encontro mercado com Francisco Alves, o rei da voz.
A grande folia no auditório da Praça Mauá, todavia, era a rivalidade entre suas duas mais populares cantoras: Marlene e Emilinha Borba.
E se dela agora me recordo, devo a viagem que fiz a Santa Catarina, para alguns dias de repouso (que ninguém é de ferro) na agradável pousada Pedra da Ilha, que eles classificam de “verdadeiramente um charme”, situada na chamada Praia Alegre, município de Penha.
Ali, no Jornal do Comércio, a jornalista Therezinha Wolff, em sua coluna Espaço cultural, me fez lembrar “A favorita da marinha faz sua grande viagem”.
E a descreve melhor do que eu faria: “Bonita, elegante e discreta, era ela detentora de títulos que mostravam a popularidade dos ídolos das décadas de 40 e 50. Cantora da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, dos saudosos filmes da Atlântida, eleita a Favorita da Marinha, Rainha do Rádio e do Carnaval carioca por várias vezes, vencedora de concursos que escolhiam as melhores músicas do Carnaval, a exemplo de Chiquita bacana que os últimos foliões ainda contam. Bons tempos…
Famosa como Emilinha Borba, nome que adquiriu ao fazer sucesso no rádio, ela que se chamava Emília Savana de Souza Costa e concorria nos famosos programas da época, de César de Alencar e Manoel Barcelos, com as irmãs Linda e Dircinha Batista, Dalva de Oliveira (que voz!), Marlene, Ângela Maria e outras que a memória no momento não recorda.
Muitas delas eu cumprimentei, abracei e até apresentei na antiga Rádio Guairacá e nos nunca esquecidos chás dançantes da engenharia (dos acadêmicos da UFPR), que eram o charme daquela fase em Curitiba. Lembro-me de como as belas jovens suspiravam ao serem convidadas para dançar com o Kit Abdala, pelo seu estilo, e pelo Abílio Ribeiro, pela sua elegância. Eu pertencia ao segundo ou terceiro time. Mas era ótimo!
E ótimo foi ser indicado pelo Aluizio Finzetto para ciceronear Emilinha nas suas exibições na cidade que, durante dois dias, foram várias, inclusive uma em praça pública, se bem me recordo, no local onde hoje está instalado o Banco do Brasil e que era um terreno baldio junto à Praça Tiradentes, no qual cantou para uma enorme multidão quase perplexa, pois naquela época, antes do milagre da transmissão de imagem, a gente imaginava como seriam nossos ídolos e os conhecia apenas em raras fotografias, que geralmente os fãs escreviam pedindo com autógrafo.
Emilinha foi ovacionada, repetindo as últimas músicas até cansar.
E à noite acompanhei-a até o Hotel Mariluz (ainda existe?) e no dia seguinte, depois de ter agradecido pela minha companhia ao Aluizio Finzetto, o que confesso me envaideceu, levei-a ao aeroporto para seu regresso ao Rio. Permitam-me repetir, bons tempos…
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 14/janeiro/2007
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