Não foi sem razão que a música rapidamente se propagou e ganhou todas as esquinas do mundo, proclamando a beleza da mulher brasileira, notadamente a carioca. Concordo, pode até estar certo quem afirmar não ser ela a mais bela, tantas são as belezas louras ou morenas e, por que não?, as mulatas, mas certamente é a de maior prestígio por ser a mais conhecida daqueles que nos visitam de além-mar.

Estou abordando esse tema, de tanta preferência masculina, por ter tomado conhecimento que acaba de ser relançado, no Rio de Janeiro, o livro de Sérgio Porto As cariocas.

Segundo estou sabendo, mulheres cariocas ganham a cena, mulheres conhecidas pelos bairros onde moram e por adjetivos que revelam seu estado civil, social ou disposição libidinosa. Todas elas são cariocas e mostram, a quase unanimidade, uma faceta: fazer do Rio de Janeiro muito mais do que um pano de fundo, um autêntico personagem da história.

Nas seis novelas que reuniu no livro, Sérgio Porto, escrevendo com uma graça incomparável, procura se distinguir do “alter ego” criado por ele mesmo. E Aldir Blanc, ao comentar o livro, deu sua opinião: As cariocas suscita uma sublime dúvida: afinal, Sérgio Porto inspirou-se nelas ou as cariocas, da minissaia à tanga, da cálida safadeza à luta por maior liberdade, inspiram-se em Sérgio Porto?

Na minha visão, ponto para as duas partes. Para as cariocas que, com sua beleza, seu lindo bronzeado e pouca vaidade (ia dizer nenhuma, mas por certo algumas não conseguem escondê-la) são a imagem resplandecente que o visitante leva na memória quando retorna ao seu país de origem. E para o velho Stanislaw Ponte Preta, pela sua persistência em proclamar a beleza da garota de Ipanema.

P.S. Aramis Chaim, não esqueça de reservar um exemplar para mim.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 21/janeiro/2007