Ab initio peço desculpas pelo atraso, mas na permanente confusão da minha mesa de trabalhos, que jamais consegui colocar em ordem, acabo, ocasionalmente, de ler um caderno do mais tradicional diário paulistano em que aparece, como de hábito, uma pequena notícia sobre o Paraná.

E ali estou lendo: “No Paraná, o governador reeleito, Roberto Requião, fez um discurso agressivo, descartou conciliação com adversários e declarou que fará um discurso de esquerda. Considerando-se injustiçado pela imprensa, disse que nos próximos quatro anos a ‘grande mídia’ paranaense não receberá dinheiro do governo. Batam como quiserem, mas os recursos do Estado serão colocados em programas de infra-estrutura e nos programas sociais”.

Sua Excelência, preclaro e ilustre governador, que é também jornalista, pois acredito que tenha inclusive freqüentado minhas aulas (hoje já creio que não muitas!), deve conhecer as dificuldades dessa profissão e a razão pela qual a ela se atribui o sagrado direito de livre opinião. Aliás, há alguns dias devo ter citado uma frase do meu especial amigo e renomado ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres de Brito, na qual ele sentenciou: “A liberdade de expressão é a expressão da liberdade”.

E, mais, jamais esqueço da lição que aprendi, quando, participando de um seminário sobre jornalismo nos EUA, numa das principais orações nos foi demonstrado que a liberdade de imprensa existe não para os jornais escreverem o que bem entendem ou o que acreditam ser melhor para o leitor, mas única e exclusivamente para que, sob proteção da lei, o jornalista possa denunciar à população os erros, as falhas e mesmo a corrupção existentes em governos de todos os lugares, prestando, desse modo, seu mais importante papel em benefício da coletividade que sempre desconhece, notadamente, o que cada agente público faz com o dinheiro do povo.

Não há arrogância, amigo Roberto. Quem sai na rua em dia de chuva está sujeito a se molhar; quem ingressa na vida política esteve, está e sempre estará sujeito a críticas. E só eventualmente, a encômios. Além do que, estes, devem comumente ser recebidos com reserva.

P.S. – Por que descartar conciliação e ser agressivo? Vamos acompanhar o escritor israelense Amós Oz, lembrando as suas palavras: “A pacificação exige, além da perícia, astúcia, cautela e sofisticação, imensa dose de boa-fé!”.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 23/janeiro/2007