Foi encerrado no último domingo em Park City (Utah-EUA) o mais importante festival de cinema independente do mundo e o Grande Prêmio do Júri foi conquistado pelo filme Send a Bullet (Manda bala), um documentário dirigido pelo norte-americano Jason Kohn que, após a exibição, se recusou a falar com os jornalistas brasileiros. Por que? Razões de sobra.
Jason declarou estar um pouco assustado com a repercussão do seu trabalho que, dizem, botou o dedo na escancarada ferida da corrupção e da impunidade brasileiras.
Presente ao evento, o cineasta Helvécio Marins Júnior, de Minas Gerais, que levou para o festival seu filme Acidente interpelou-o, como teve a coragem de abordar tão minuciosamente a corrupção no Brasil e, depois, ficar sem vontade de exibir o filme no Brasil?
E a resposta foi uma justificativa inesperada: “Porque meu pai mora no Brasil e poderia correr perigo de vida”. Jason, de apenas 23 anos, transferiu-se para o Brasil, onde permaneceu durante todo o período da filmagem. Manda bala tem como tema a corrupção no Brasil com três personagens principais: um político que, para lavar o dinheiro da corrupção, abre uma fazenda de fachada. Outro, um empresário que gasta milhões para só viajar em carros blindados. E o terceiro… um cirurgião plástico que constrói orelhas de vítimas de seqüestro. Foi fundo, não?
Falando da lavagem de dinheiro, ele cita o exemplo do ranário do deputado Jader Barbalho, acusado de desviar dinheiro da Sudam. Para o diretor do filme aí está a prova de que a corrupção chegou ao centro do poder.
Segundo a imprensa o filme é grotesco, chocante e sórdido… mas real.
Aparecem vídeos caseiros feitos pelos seqüestradores, com cenas de crianças implorando para não ter a orelha decepada, informou Felipe Camarano Barbosa, que exibiu no festival o seu curta Beijo de Sal.
P.S. – E, afinal, Jason, por que acha que seu filme não pode ser exibido no Brasil? Você teme pela vida de seu pai que reside numa das mais aplaudidas democracias sul-americanas? Não nos deixe demasiadamente curiosos.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 2/fevereiro/2007
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