Vamos começar pela frase que eu havia imaginado colocar ao final deste artigo: por que, se dona Carmela Dutra já morreu há tantos anos? Para quem já esqueceu, dona Carmela foi a esposa do presidente da República (Eurico Gaspar) que mandou fechar os cassinos que funcionavam no Brasil, proibindo o jogo. O qual, aqui muito sigilosamente, só acabou nos cassinos.
Se estou abordando o tema é porque tomei conhecimento de que gente que fala a nossa língua e habita a colônia portuguesa de Macau (uma antiga possessão) começou a receber milhões de turistas endinheirados de várias partes do globo, dispostos a arriscar a sorte e, com certeza, deixar quilos de dólares em belos cassinos recentemente inaugurados. Um exemplo? Só em 2006 ingressaram em Macau 6,95 bilhões de dólares. Quase 7 bilhões de… dólares. Alguém sabe lá quanto é isso? Pode parecer incrível, mas os analistas garantem que já superou Las Vegas, que no mesmo período obteve 6,5 bilhões de dólares.
E belezas como as Cataratas do Iguaçu são uma atração mundial.
E qual é a diferença? A diferença é que o turista chega lá, passa dois dias e vai embora. Já o cassino, o jogo (bem ou mal) prende o turista que ganha num dia, perde no outro e acaba sempre perdendo dinheiro, sem, paradoxalmente, perder a esperança.
P.S. – E como só joga e só perde quem tem e pode, por quais razões nosso Brasil se recusa a abrir as portas para essa imensa fonte de renda? Que tem ainda a vantagem de abrir quantidade de emprego e oferecer ao público espetáculos de alto nível, criando mais oportunidades para a classe artística.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 9/fevereiro/2007
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