Bate o sino. Blim, blom. É hora de embarcar, pois o trem vai partir. E começa uma bela e agradável aventura serra abaixo. Sim, nós curitibanos estamos quase mil metros acima do nível do mar, o que resulta nesse clima que muitos julgam estar entre os melhores, a exemplo de meu irmão, com os quais não concordo. Sou de quem está ao lado do calor. Sol, praia, louras e morenas bonitas e um gostoso sorvete de coco. Êta vida boa…
E começa uma bela aventura, com sabor do passado, com o ruído das rodas sobre os trilhos, serra abaixo.
A gente passa por Pinhais e nem olha, passa por Piraquara e esquece que as fontes de nossas águas estão lá e sente a primeira emoção, evidentemente que sempre na primeira viagem, ao ingressar no túnel de Roça Nova, com quase meio quilômetro, o mais longo da ferrovia. Coincidentemente está ali o ponto mais elevado do caminho, são quase mil metros (955) acima do nível do mar.
A grande obra de arte a gente passa por cima. É a chamada Ponte São João, creio que o rio sob ela tenha esse nome, construída com nada menos do que quatrocentas toneladas de aço belga.
Geralmente os turistas começam em Morretes para depois visitar Antonina, onde nem todos chegam, sem saber o que perdem. Entopem-se com o gostoso barreado morreteano, desprezando o sabor do camarão antoninense.
Eis o caminho das pedras! Turismo, indústria sem poluição, privilégio de quem foi abençoado com belezas naturais. E quantos países têm maravilhas iguais às nossas? Será que tão incompetentes somos que não podemos fazer delas uma fonte de recursos fazendo crescer o movimento turístico?
Que razões podem explicar que o minúsculo Niágara Falls recolha mais dólares do que as incomparáveis Cataratas do Iguaçu?
P.S. – Agora, ficando nos limites da nossa área, quem descer a serra de trem para ir a Morretes, não deixe de conhecer Antonina!
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 10/fevereiro/2007
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