Mal acabo de deixar a “ilha da fantasia” e tomo um susto ao voltar à nossa tão querida Curitiba, que a gente costuma reclamar que não tem praia, esquecendo que ela tem calor humano, e me deparo com um conflito despropositado: governador do Estado e prefeito da cidade.

Não conheço as razões do desentendimento e de nada necessito saber para abordar o tema.

Governador Roberto Requião e prefeito Beto Richa: os senhores optaram por uma vida um pouco complexa, a carreira política, e quem ingressa na política não deve olvidar do antigo ditado que preconizava: “Política é a arte de engolir sapos”. Claro que ninguém gosta, mas todas as profissões têm seu lado amargo e seu lado doce.

Quem disputa uma eleição é forçado a pedir votos e, evidentemente, o eleitor desse ato se credita. Não se pode estranhar que, em algum momento, com alguma dificuldade ele procure o seu eleito em busca de uma possível solução.

E quem é eleito não pode, após algumas horas depois de empossado no cargo, acreditar que não deve nada a ninguém, que os milhares de votos recebidos foram uma simples homenagem aos seus olhos azuis ou ao seu cabelo bem penteado.

Diferentemente, uma vez no cargo é que aparecem os encargos. Que não são poucos nem fáceis, mas fazem parte das responsabilidades da opção escolhida.

Sou admirador tanto do governador quanto do prefeito, mas não falo nessa condição e sim na condição de cidadão eleitor que almeja o melhor para o solo onde vive com sua família e que, conseqüentemente, depende também de uma boa administração estadual e por igual municipal. Vamos colocar de lado as divergências políticas, ter a grandeza dos líderes que não se apequenam em face de problemas ou crises ocasionais e têm a visão de um horizonte sempre favorável. Governador e prefeito, no meu retorno da “ilha da fantasia” aceitem o meu bom-dia, saudoso que estava desta terra, respirem o ar fresco da Cidade Sorriso e respirem harmonia e aliança em recompensa aos milhares de votos de confiança da brava gente da terra das araucárias.

P.S. – A “ilha da fantasia” a que me refiro se chama “Sinfonia”, um transatlântico, que eu chamaria de “cidade flutuante”, da rota MSC Crociere.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 21/fevereiro/2007