Fazer Jornalismo é fácil. Além disso, há aqueles que consideram ainda mais fácil do que o é. Como é o caso de uma juíza quando, recentemente, sustentou que os cursos de Jornalismo são dispensáveis. Talvez ela tenha razão, em alguns casos raros.

Jornalismo é vocação. Sim, é vocação e, também, saber escrever. Mas vocação e saber escrever podem ser aperfeiçoados nos cursos de Jornalismo. Porém, há cursos que são de baixo nível. Bem, esse é outro filme. Também há cursos de baixo nível em Direito, Medicina, Odontologia, e tantos outros. A solução é exterminá-los?

Fazer Jornalismo é tão fácil que o jornalista, antes de escrever qualquer notícia, tem apenas que pensar basicamente em cinco questões: o que, quem, quando, onde e por quê? O relato de um fato numa notícia de jornal que não responder a estas perguntas deixará o leitor desinformado.

Se todos sabem disso, o que me trouxe ao assunto?

O que me trouxe ao assunto foi uma notícia que acabei de ler no conceituado Jornal do Brasil. Sob o título Show na Lagoa, a notícia diz ipsis verbis, o seguinte: “A dama da bossa jazz brasileira apresenta-se até o final de fevereiro, de quinta a sábado, às 23 horas, no Chikos Bar (Av. Epitácio Pessoa, 1560, Lagoa, tel.: 2523-3514). Nesta temporada, a cantora está acompanhada do trio formado por João Carlos Coutinho (piano), Lúcio Nascimento (baixo) e Adriano de Oliveira (bateria). Desconto de 20% em até dois couverts. Consumação a R$ 20 e couvert artístico a R$ 20”.

E ponto final. Sim, ponto final sem que a notícia informe o nome da pessoa que vai fazer o show, ou seja, o elemento mais importante da notícia.

É possível que o show da dama da bossa jazz brasileira seja um sucesso, pois acredito que tenha havido uma campanha publicitária sobre o evento, mas o jornalista que escreveu a notícia prestou um benefício indireto ao show, ou seja, no dia seguinte cada leitor estaria a perguntar para o outro quem seria a dama que faria o show.

Mas, de outro lado, o jornalista deve voltar à escola para aprender que qualquer notícia sem o quem não pode ou não deve nem ser publicada.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 25/fevereiro/2007