Os técnicos da Universidade de Campinas, depois de um minucioso exame solicitado pelo próprio Senado, chegaram à conclusão que o sistema de votação eletrônica do Senado pode e foi violado por ocasião da cassação do mandato do senador Luiz Estevão, do PMDB do Distrito Federal.

O exame revelou mais, que a votação foi copiada em disquete, o que significa que poderia ser utilizada novamente.

É evidente que um equipamento dessa natureza para proteger o sigilo do voto tem um preço, pago pelo povo. Ou seja, o povo paga para não saber como votaram os seus representantes. Eis aí, no mínimo, um paradoxo.

Por que o sigilo do voto? Numa democracia – o regime político mais aberto que existe – a adoção de voto secreto é uma incongruência.

Muito mais fácil e mais legítimo é o voto aberto. Para qualquer tipo de votação.

Há uma corrente no Parlamento desejando que o voto seja secreto apenas nas eleições das mesas. Por quê? Para esconder as traições.

Não há, na verdade, nada que justifique o voto secreto, a não ser a covardia (não encontrei termo mais suave) deste ou daquele parlamentar.

A democracia é o sistema típico da transparência. E não apenas típico, como amplo.

Já há um movimento, agora abraçado pela senadora Heloísa Helena, do PT de Alagoas e também pelo primeiro secretário da Câmara, o deputado Carlos Wilson, do PPS de Pernambuco. E à tese aderiu também o nosso senador Alvaro Dias, para quem a própria cassação dos senadores deveria ter ocorrido em votação aberta. E tem razão. Secreta por quê?

P.S. – “Não somos donos das instituições públicas. Seus donos são os que a elas acorrem, a quem devemos servir com a clarividência dos sábios, mas sempre e sobretudo, com a modéstia dos simples”. Palavras luminosas proferidas pela conselheira dra. Doris de Miranda Coutinho (querida irmã de meu vizinho Horácio) ao tomar posse na presidência do Tribunal de Contas do Estado de Tocantins.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 1º/março/2007