Perdoe-me, paciente leitor, mas vez por outra sou forçado a recordar os valiosos anos em que lecionei para alunos de jornalismo na gloriosa Universidade Federal do Paraná, da qual ainda hoje guardo muito orgulho.

Pois bem, na sala de aula, discutindo com meus espertos alunos sobre o que transforma um fato em notícia digna de ser publicada, por vezes, me servi de um exemplo clássico: Se um cachorro morder um homem, isso não chega a ter o valor de uma notícia; já, ao contrário, se um homem morder um cachorro, isso, realmente, tem a força de uma notícia.

Mais de uma vez, algum aluno mais atento me replicou. Professor, mas quando é que um homem vai morder um cachorro. E eu justificava: estou levantando uma hipótese, que algum dia pode acontecer.

E se recordo agora foi porque, efetivamente, aconteceu. A notícia procede de Edimburgo e diz o seguinte: “A polícia escocesa deteve um homem acusado de tratamento cruel contra o seu cão-guia. Uma testemunha afirmou ter visto um homem de 34 anos morder um labrador e chutá-lo violentamente em uma grande avenida da cidade. Oficiais detiveram o suspeito e o acusaram de perturbação da ordem pública e comportamento cruel contra o animal”.

A polícia levou o cão a um centro de cuidados e depois o encaminhou à Associação de Cães-Guias para Pessoas Cegas.

P.S. – Os animais são mais educados que os homens. Um gato dorme na poltrona, o homem vai e tira o gato. Jamais vi o contrário. (Erick Satic, escritor francês, falecido em 1925)

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 8/março/2007