Na minha contagem, João Manuel Simões já ofereceu aos leitores nada menos do que cinqüenta livros. Talvez hoje já tenha ultrapassado essa marca. Alguém pode fazer idéia do que isso significa? Eu sei! Uma verdadeira loucura. Escrever um livro foi uma das experiências mais complexas que enfrentei nos meus já longos anos de vida. Às vezes fico meditando como me foi possível escrever nove e, atualmente, tentar rabiscar mais um. Dizem que esse mister está no sangue. Mas, haja sangue!
Abordo o tema no momento em que, com algum atraso, estou folheando A álgebra do canto. E vejo que escrevendo à guisa de prefácio ele assim o define – “A poesia, o poeta e o poema: essa tríplice temática-problemática suporta, orienta, condiciona e de certo modo define as estruturas poemáticas que integram o presente volume. Em outras palavras: a morologia do poeta, poliedro humano biopsicológico, a sintaxe do poema, espaço eleito e domicílio da luz mais ou menos intensa da poesia, e a gramática do canto, na sua plenitude fono-morfo-sintática, constituem o leit motiv, o pretexto inaugural para os textos que aqui se reúnem, ligados pelo fio condutor da inspiração”. Gostei muito, Simões, mas guardo a impressão de que alguns podem não compreendê-lo como você deve ter imaginado. É, meu caro, não devemos nos olvidar que escrevemos para um povo com uma enorme parcela de analfabetos e, o que não é menos grave, uma outra que sabe, mas não gosta ou não tem o hábito da leitura. Ver televisão e ouvir rádio é muito mais cômodo. Faça uma comparação que considero simples e amblemática: vamos contar quantas pessoas freqüentam o cinema, pagando preços até absurdos e quantos deixam de percorrer um museu (o que tem praticamente o valor de fazer um pequeno curso cultural), para chegar à conclusão de que efetivamente não alcançamos ainda o estágio de uma nação letrada. O que não quer dizer que devemos perder a esperança. Na realidade, a cada nova geração o índice cultural vem subindo. Lastimável que muito, muito lentamente…
P.S. – O livro de João Manuel Simões revela os seus escritores favoritos: 12 brasilerios e 9 portugueses = 21.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 15/março/2007
Deixar um comentário