Cervantes ou legitimamente Miguel de Cervantes Saavedra, cuja obra-prima Don Quijote de la Mancha conquistou facilmente o mundo, é considerado o mais genial escritor da língua castelhana, idioma que, na realidade, tem fornecido ao mundo substancial parte da cultura.

Como a maior parte dos escritores célebres e até mesmo de celebridades de outras áreas, Cervantes só tomou conhecimento do sucesso do seu trabalho pouco antes de morrer, praticamente mendigando, em sua terra, no ano de 1616. Uma coincidência amarga: nesse mesmo ano morreu William Shakespeare, outro gênio da literatura universal.

Cervantes nasceu em Alcalá de Henares (Espanha) em 9 de outubro de 1547, filho de um médico não muito bem-sucedido. Começou a estudar com os jesuítas, em Sevilha. Muito curioso, costumava ler tudo o que encontrava e começou a tomar contato com os clássicos, notadamente os autores espanhóis e italianos.

Também Cervantes não escapou de ser soldado (por cinco anos) e, participando da chamada batalha de Lepanto (1571) sofreu ferimento que tornou inválida a sua mão esquerda. Atuando nas expedições a Corfu e Túnis, quando fazia a viagem de regresso, teve sua galera aprisionada pelos piratas mouros e, conduzido a Argel, como escravo. Nove anos depois foi libertado e, de volta à Espanha, casou com Catalina de Palácios e um ano após publicou o primeiro livro, La Galatea, um simples romance pastoral, mas que lhe rendeu sucesso e fama.

Escreveu peças de teatro que foram apresentadas em Madri, mas sem sucesso de público ou de crítica. Conseguiu o emprego de coletor de impostos mas acabou na prisão, acusado de fraude. Enfrentou dificuldades, mudou-se para Valladolid, onde voltou a ser preso por ter aparecido um homem morto na porta de sua casa. Por que será que o destino tanto castiga os gênios?

Em 1605 publicou em Madri El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha, considerada a primeira criação do romance moderno e que lhe deu os primeiros rendimentos. Gostou e se dedicou a escrever: Novelas ejemplares (1613); Viaje del Parnaso (1614), passando a seguir a escrever novelas (foram oito) até sua morte em 1616. Los trabajos de Persilles y Sigismunda é obra póstuma, editada em 1617.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 16/março/2007