Há um axioma cada vez mais verdadeiro e eventualmente presente também na vida moderna: nós só damos valor à liberdade quando a perdemos. Assim como alguns gostam de afirmar que só damos valor ao dinheiro quando ele nos falta.
De tal modo que nós brasileiros, geração que está desfrutando uma bela temporada de democracia, raramente recordamos que já enfrentamos a censura, arma preferida dos poderosos mal-intencionados (não sei se houve ou haverá poderoso bem-intencionado!), que essa repressão aos meios de comunicação leva o povo a crer que a palavra do poderoso é verdadeira e, conseguintemente, isso permite sua permanência na chefia.
Estou penetrando nesses meandros para falar sobre a China, a populosa China, atualmente tão decantada pelos resultados econômicos alcançados.
Pois bem, a mais recente informação da China é o corte aplicado pela censura no filme Babel, do mexicano Alejandro González Iñarritu, que acaba de aparecer nas telas chinesas. A película dura menos cinco minutos.
A “inteligente” censura cortou cenas protagonizadas por uma adolescente japonesa surda que desejava seduzir um homem. E, acreditem, essa atriz censurada de nome Rinki Kikuchi acabou sendo indicada pela crítica para o prêmio Oscar deste ano na categoria de atriz coadjuvante.
A imprensa procurou entrevistar os responsáveis para saber a razão da censura, mas… como sempre, se recusaram a falar.
Babel estreou na semana passada nas telas da China, quando as ruas de suas principais cidades já estavam inundadas por gente vendendo DVDs pirata com a versão integral do filme.
Quer que sua obra alcance sucesso? Chame a censura e permita que seja proibida. Bilheteria garantida.
P.S. – Meus cumprimentos à querida Marieli, filha de Gracieli e Fernando Araújo, pela sua linda festa de formatura em Administração. Tudo ótimo, decoração Flor de Lys, doces Viviane Malucelli, música da banda Fire cracker, “buffet” Nuvem de Coco e iluminação Phocus.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 20/março/2007
Deixar um comentário