Nem sempre se pode confiar no que anunciam em nosso País, mas como eu procuro ser otimista, estou esperançoso. Qual é a novidade? Aquele veículo estranho, fora do comum, que recebeu o apelido de trem-bala. Sucede que em sua viagem a Paris, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, recebeu da empresa francesa Alston uma proposta para a instalação de um trem de alta velocidade na Via Dutra, que liga as nossas mais importantes capitais.
Segundo Philippe Mellier, diretor-presidente da Alston, a idéia é perfeitamente viável, já que há um mercado de transporte que pode cobrir os custos da construção da linha.
Esse, na verdade, é sonho de uma longa noite de verão… Há mais de treze anos inúmeros projetos vêm circulando pelo Ministério dos Transportes, sendo que o último estudo data de 2004, no qual o governo prevê uma PPP – Parceria Público Privada – para a consecução da magna obra.
Quem já viajou ao Rio, a não ser pelos ares, como eu algumas vezes, sabe muito bem que esse empreendimento se pagaria em pouco tempo. Imaginemos como seria, “verbi gratia”, nesta época do apelidado “apagão aéreo”.
Aliás, estou entre aqueles que acreditam ser o trem o melhor veículo de comunicação, com o “problema” de ser então lento. Se esse problema vier a ser corrigido pela Alston, certamente, ela vai se tornar mais rica do que já é, em compensação irá facilitar a vida de quem viaja em todo o mundo.
O leitor já se imaginou viajando suavemente num trem-bala, ou seja lá o nome que lhe for dado no Brasil, de São Paulo ao Rio de Janeiro em menos de uma hora? Com toda segurança e tranqüilidade, sem se preocupar com as condições do tempo, se há “cumulus nimbus” ou congestionamento aéreo, sem as longas esperas nos aeroportos, o grande castigo do transporte aéreo? Eu creio. E com razão, afinal quando comecei a viajar de avião, levei mais de seis horas de Curitiba a Salvador (Bahia), com escalas em São Paulo, Caravelas e nem lembro mais onde, pela Cruzeiro do Sul ou Aerovias Brasil, em aviões que hoje ainda estão no ar, Douglas, me parece, quando apareceu o “Constelation” como grande atração pela capacidade de passageiros que comportava. Bons tempos, em que se viajava de avião de paletó e gravata e em que os lanches servidos eram deliciosos e os preços não assustavam.
P.S. – Espero que me perdoem, pois os da minha idade sabem do que estou falando e, portanto, aguardam com o mesmo entusiasmo a chegada do trem de alta velocidade.
P.S. 2 – E não como privilégio de paulistas e cariocas. Queremos também um fazendo Curitiba-São Paulo. Captou, mr. Philippe Mallier?…
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 10/abril/2007
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