Acredito que já escrevi a propósito de quando alguém declarou que o Brasil não seria um país sério e todos nós nos indignamos. Certamente não sem razão.
Cada vez que me ocorre o tema, meditando mais, acabo ficando em dúvida. A dúvida, esclareça-se de imediato, não se refere ao povo, que todos reconhecemos sério, trabalhador e, não raramente, sofredor.
A referência volta-se na direção, em linha reta, aos políticos que nós elegemos. Quem foi que certo dia, algures, declarou que o brasileiro não sabe votar, causando algumas reações bravas? Olha!…
Todos sabemos que, de quando em vez, somos convocados às urnas para escolher nossos representantes nas áreas municipal, estadual e federal, exercendo o direito do voto, princípio básico do melhor regime político até hoje posto em ação pela vontade popular. Somos nós, via de conseqüência, responsáveis pelos atos que eles praticam.
Parece-se, contudo (evidentemente é complexo!), que quem põe deve ter o direito de tirar. É o que ocorre nas nomeações, mas não nas eleições. Em outras palavras, não temos o direito de nos arrepender, a não ser manifestando essa decepção em outro pleito. Fato que raramente sucede, ora porque nos esquecemos, ora porque o candidato é simpático, ou lhe devemos algum favor, é nosso conhecido, amigo, médico, farmacêutico ou temos qualquer outra forma de convivência.
Creio que já perorei demais. O busílis da questão são nossos representantes. Seriam eles sérios como o povo de quem receberam votos? Os fatos estão revelando que nem sempre.
Atualmente, suas excelências estão discutindo um “grave” problema: se devem ou não trabalhar nas segundas-feiras. Eu também considero segunda-feira um dia ingrato… mas quando cai em dia de pagamento todos gostam. Mas nossos políticos da “ilha da fantasia” (Brasília) já não trabalham nas sextas-feiras e nos sábados (lógico, é dia de feijoada!). Mas, se isso lá vale como algum consolo, o presidente da casa declarou que quem não comparecer para “trabalhar” nos três dias terá seu salário descontado. Isso mesmo, presidente Arlindo Chinaglia, afinal o Brasil ainda é um país sério?!
P.S. – Quem diz “no meu estado ninguém faz nada sem falar comigo”, tem raciocínio de tiranete de província, típico de mentalidade de um “coronel”. (Carlos Ari Sundfeld, professor da PUC-SP.)
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 13/abril/2007
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