Insisto naquela raiva que garramos quando alguém, alhures, declarou que o Brasil não é um país sério. Mas, de vez em quando…
Desta feita, o “exemplo” partiu dos nossos ilustres representantes.
Como nossos parlamentares não estavam satisfeitos com os valores do cheque recebido mensalmente para “trabalhar” cinco meios-dias por semana, decidiram, votando em causa própria, o que constitui praticamente um crime de lesa-pátria, instituir mais uma gratificação e a chamaram de verba indenizatória, eufemismo para que possam responder, quando lhes indagam quanto ganham, que o subsídio é mínimo, de apenas medíocres reais. Será que isso não dá também para pagar menos imposto de renda?
A vigilante imprensa paulista acompanhou o andamento da carruagem e descobriu que catorze deputados gastaram exatamente os R$ 15 mil a que tinham direito. Nem um centavo a mais, nem a menos. Precisão absoluta.
Um parlamentar de Alagoas (Ah, que saudade de Maceió) chamado Givaldo Carimbão (PSB) gastou, segundo notas que apresentou, em fevereiro R$ 4.380,00 em gasolina e R$ 10.620,00 em locomoção, hospedagem e alimentação. Em março, exatamente a mesma importância. Simples coincidência?!
Atento, o procurador-geral do Tribunal de Contas da União, Lucas Rocha Furtado, já denunciou que a verba é um “faz-de-conta” aprovado simplesmente com o objetivo de elevar o salário para R$ 30 mil, trilhando aquele conhecido caminho do “jeitinho brasileiro”. Segundo ele, que tem os olhos abertos, independentemente das notas fiscais serem frias ou não, o dinheiro nunca é destinado à atuação do parlamentar em seu estado, pois o que estabeleceram foi um sistema que tornou a fiscalização impossível. Eta, “jeitinho brasileiro”… Alguém mais quer ser deputado?
P.S. – Ao falar em nota fria, recordei da época em que presidia o nosso bravo Tribunal de Contas e recebia alguma autoridade de alto nível e a levava para jantar em restaurante tipicamente curitibano. Alguma vez, um garçom me perguntou: De que valor o senhor quer a nota?
Publicado no jornal “O Estado do Paaná”, 25/abril/2007
Deixar um comentário