A cada momento a vida nos surpreende com uma nova e, por vezes, assustadora lição. E é curioso recorrer à memória e dali extrair algumas lembranças que acabam por exigir mais reflexão, esperançosamente destinada a nos abrir atalho para um amanhã tranqüilo e confortável.
Poucas vezes nos damos conta dos problemas enfrentados por nossos antepassados, notadamente com a dificuldade de locomoção. Hoje, imaginamos inconcebível uma viagem sobre cavalos de Porto Alegre a Sorocaba, uma trilha que foi percorrida por décadas por arrojados brasileiros, que abriram caminho para o nosso presente. De fato, somos uma geração privilegiada, que nasceu quando o tapete vermelho já estava estendido pela ciência e pela tecnologia. Já viemos ao mundo tendo à disposição navios para viajar sobre os oceanos (como é agradável uma viagem pelo mar, quando deixamos os problemas em terra firme!), para voar como os pássaros por todos os céus (uma sentida lágrima ao gênio de Santos Dumont!) e para nos deslocarmos a mais de sessenta por hora, sentados confortavelmente e ouvindo músicas, podendo ainda apreciar a paisagem (e alguns, com menos responsabilidade, fumando ou conversando no telefone celular), com a mão, nem sempre muito firme, no volante dessa invenção “diabólica”: o automóvel.
Ninguém ignora que a vida era mais tranqüila no tempo das carruagens e outros veículos mais lentos, dos quais o trem é o sobrevivente soberano. E os veículos que rodam sobre pneus, os mais perversos.
P.S. – Vamos fazer nossa imaginação retroceder ao início do século passado, quando um cientista, em conferência para seleta platéia, encerra com a seguinte indagação: Eu tenho uma invenção que pode nos transportar confortavelmente a qualquer distância, a mais de 60 quilômetros por hora. Mas essa invenção tem um preço: quase 40 mil mortes por ano? Qual seria a resposta?…
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 1º/maio/2007
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