O título deste trabalho (sim, escrever também é um trabalho, com alguns encantos e não poucos inconvenientes) pode parecer estranho, mas reveste com bom figurino a questão que vamos tratar.

Menos de 24h após autorizar que os quinze marinheiros capturados pelo Irã relatassem suas histórias para a imprensa e televisão, o ministro da Defesa britânico, des. Browne, arrependeu-se e proibiu que os militares recebessem euros por qualquer informação.

A mudança de opinião não foi voluntária resultou da forte pressão e críticas que recebeu de diplomatas, militares e familiares das vítimas de guerra no Iraque. Ocorre que quando a ordem de proibição chegou, dois marinheiros já haviam embolsado boa recompensa. A primeira a lucrar com o fato foi uma mulher, aliás a única do grupo, Faye Turney, que falou ao tablóide The Sun e à rede de televisão ITV.

Faye contou que foi separada do grupo e isolada por cinco dias em uma cela de quatro metros, obrigada a ficar só de calcinha e, em seguida, submetida a longos interrogatórios, durante os quais perguntaram repetidamente se ela gostaria de rever a sua filha de apenas três anos.

Certo dia, declarou Faye (uma loura simpática de rosto nórdico), escutou batidas de prego e de serra cortando madeira, quando recebeu a visita de uma mulher que a mediu dos pés à cabeça, convencendo-a de que, ao lado, estava sendo preparado seu caixão.

Os entrevistados e os veículos que publicaram o assunto se recusaram a responder, mas segundo os jornais londrinos, nenhum deles ganhou menos de… US$ 200 mil!

Chegamos, conseguintemente, à conclusão de que a notícia não apenas é mercadoria, mas mercadoria de alta cotação no mercado. Com efeito, está já distante o tempo em que os meios de comunicação se preocupavam em manter uma postura ética como garantia da boa imagem do veículo. Atualmente, o que conta à audiência é o número de leitores.

Certo? Errado? Se partirmos do princípio de que a mídia existe para informar ao público aquilo que alguns, iniciativa privada ou poder oficial, desejam esconder, a resposta é tão explícita que não deixa dúvida.

P.S. – Agende encontros com a cultura: hoje, 19h, no Shopping Estação, Marcelo Almeida discute a obra de Thrity Umrigar A distância entre nós; dia 9, no Shopping Curitiba, Paulo Rogério Bittencourt lança e autografa o livro O ponto G de Janine; dia 10 no Shopping Estação, Maria Cláudia S. Rebellato, Glaucia Von Zuben e Rosa Maria Fontoura lançam Crianças em cena; dia 10, ainda no Shopping Barigüi, Aderbal Nicolas Muleer, lança Contabilidade básica; dia 15 no mesmo local, Edelvino Razzolini F.º, Cícero Caiçara Jr. e Wanderson Stael Paris, lançam Transporte e modais com suporte de TI e SI, Informática, internet e aplicativos.

Publicada no jornal “O Estado do Paraná”, 3/maio/2007