Atendendo a recomendação familiar, desfiz-me do mais charmoso carro da cidade: Camaro branco, capota preta, automático, uma delícia para dirigir, conversível. Passei a utilizar táxi e encontrei em seus simpáticos e atenciosos motoristas uma boa fonte de informação. Os motoristas de táxi conversam com todos, desde autoridades até bandidos e, via de conseqüência, são geralmente bem informados.
E, há dias, tomei conhecimento de que existe para a classe um sindicato, certamente constituído para a defesa dos seus legítimos interesses, como, de outra parte, recebi com alguma estranheza que deve se tratar de um sindicato milionário.
Com efeito, como sabemos, todas as classes formam seus sindicatos para contar com um órgão que os represente em eventuais conflitos, divergências, reivindicações e até para reunir a turma numa festa de confraternização, como creio que seja o Sindicato dos Taxistas. Ocorre que este sindicato deve contar com um contabilista que informa a sua diretoria sem consultar os índices de inflação. Não sendo assim, como se poderia encontrar uma justificativa, ao menos razoável, para que a taxa de contribuição, que antes era gratuita, houvesse sido alterada de R$ 13,00 para nada menos de R$ 113,00 para cada seis meses. Se atentarmos que nossa capital conta com aproximadamente 2.500 táxis, basta fazer uma simples multiplicação para apurar que temos aí um sindicado de cofres cheios. E para que essa taxa? Para nada mais do que “renovar” a carteira de filiação e proceder o que chamam de vistoria, uma exigência da Urbs para os concessionários.
“En passant” vale aproveitar o tema para classificar o nosso sistema de serviço de táxi como razoável. Pode até ser digno de melhor adjetivo em dias normais, basta, entretanto, uma chuva, esse clima que gosta de passar temporadas na Cidade Sorriso, para que se torne difícil encontrar um táxi.
P.S. – Não esqueçamos da importância do motorista de táxi para qualquer cidade. É ele o primeiro recepcionista de qualquer visitante e se ele falar mal da cidade o turista sente vontade de voltar para casa. Quando não, já chega olhando tudo com má vontade! E ao sindicato cabe importante papel nesse sentido.
Publicada no jornal “O Estado do Paraná”, 9/maio/2007
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