O mundo, infelizmente não todo ele, é livre e democrático. De tal modo que permite a cada indivíduo se expressar como bem entender, respondendo por eventuais abusos que possam fazer seu direito de liberdade de expressão violar o direito de terceiros.
Assim é igualmente numa das áreas mais delicadas da vida, através da história: a religião. Uma área tão complexa e na qual a opinião é dominada pela fé, que tenho evitado ao longo de minha carreira abordar ou discutir.
Mas, como jornalista que se esforça para acompanhar os acontecimentos de maior relevância e de interesse dos leitores, dedico o maior tempo possível a consultar livros e toda fonte que me possa transmitir novidades e melhores conhecimentos. O tempo que me sobra, que não é muito, ao longo das 24 horas, eu entrego ou à leitura ou à música. E não quero vida melhor…
Ah, sim e os anti-Cristo? Eles pertencem a uma seita internacional denominada “Crescimento en Gracia” (lógico, Crescendo em Graça) com fiéis em 23 países, entre eles nosso Brasil. Foi fundada por um cidadão de Porto Rico, José Luís de Jesus Miranda, que se diz ser, simplesmente, a segunda encarnação de Cristo. Será que teremos ainda outras encarnações?…
Seus aficionados, (não seriam fanáticos?) o chamam de Apóstolo, Cristo Homem, Deus Vivo e, paradoxalmente, também de anti-Cristo.
A falange se ampara em passagens da Bíblia, escolhidas cuidadosamente, que reconhecem a importância de Cristo, mas seu sacrifício não deve ser imitado, pois “se ele morreu na cruz para tirar os pecados do mundo, todas as pessoas se tornaram purificadas”. E proclama: “Faz dois mil anos que pecado e diabo já não existem”.
“Assassinato, estupro, adultério e roubo não são pecados, mas atos que devem ser julgados pela lei dos homens; imaginem se Deus vai deixar de salvar todos aqueles que bebem ou fumam?”
E quando esse anti-Cristo mostra o seu braço tatuado com o número 666 – tido como o número bíblico da besta – todos os seus adeptos repetem o gesto.
Esse anti-Cristo é hoje persona non grata em vários países da América Central, mas um encontro internacional foi realizado no mês passado na Guatemala, sem sua presença, uma vez que a entrada no país foi proibida, tal como ocorre em Honduras e El Salvador. Justificativa: “Não podemos aceitar esse louco que se diz ser o Messias!”, declarou o presidente Elias Saca, de El Salvador.
No Brasil, consta que há 37 centros educativos (esse é o nome do templo), com aproximadamente cinco mil seguidores.
Já na Colômbia, são oitenta centros. A lenda narra que anti-Cristo, 61 anos, nasceu de família pobre, envolveu-se com drogas, teve uma conversão quando um anjo lhe apareceu e aconselhou: “Mude-se para Miami”. E ali abriu sua primeira igreja num badalado bairro latino da Flórida. A imprensa que abordou a questão disse não ter sido possível entrevistar o anti-Cristo e que é muito mais fácil falar com o presidente dos Estados Unidos.
P.S. – A importância não está no cargo, mas na adoração…
Publicada no jornal “O Estado do Paraná”, 12/maio/2007
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