Permitam-me mais uma vez começar com um pedido de perdão, mas não me canso em recorrer à sempre lembrada frase de que o Brasil não é um país sério. Até que recebamos publicamente uma prova em contrário com a qual possamos responder ao mundo com um exemplo indiscutível.
Agora, muito aqui entre nós, “meros discípulos do insuperável Rui Barbosa”, vamos imaginar o que poderá pensar alguém em qualquer território não brasileiro, ao ler a notícia que foi estampada há poucos dias na imprensa nacional: “Tráfico acirra disputa por pontos de venda”. Note-se que, ao menos para nós, o título nem precisou esclarecer que se tratava de tráfico de drogas…
Como é possível esperar que um americano, francês, italiano ou nossos irmãos portugueses acreditem que os traficantes estejam numa guerra aberta pelos pontos de venda e que o aparelho policial não os localize e prenda. Em palavras curtas: eliminar os pontos de venda significa acabar com o tráfico de drogas! Quanta dificuldade?
Dificuldade, ou outro vocábulo, menos generoso: corrupção, incompetência, conivência, falta de preparo ou de recursos, enfim, qual desses problemas é insolúvel que não está permitindo ao Estado exterminar com essa “doença” que vem contaminado a juventude e, não se sabe ainda até que ponto, mas garantidamente comprometendo o futuro da nação.
Sabemos todos, e logicamente não ignoro, que o País tem graves problemas, mas considero que esse ao lado da educação (e no fundo eles acabam se interligando!) está entre os mais graves e, consequentemente aqueles que devem desde já ser atacados. E as razões são simples: quanto mais tarde, mais difícil porque o aparelho criminoso não pára de crescer e se reaparelhar e, pior, quanto mais tarde maior será o número de viciados, e, alguém duvida que cada novo viciado é um novo adversário da polícia, do controle e do próprio Estado?
P.S. – É de se ter em conta de que alguém tenha dúvida… Pois bem, basta olhar o passado, examinar o presente e esperar o futuro!
Publicada no jornal “O Estado do Paraná”, 15/maio/2007
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