Entramos no mês de junho, já lá se vai metade do ano. Passado o inverno que voltou depois de escapar do armário onde por algum tempo o escondemos, mas voltando com sol agradável para evitar queixas e lamúrias, das quais também participo.

É mês junino ou joanino, mês dos santos (João, Pedro e Antônio) que semearam os nomes possivelmente mais usados nas famílias brasileiras.

Eu “verbi gratia”, já vim ao mundo com o nome escolhido: 24 de junho, dia de São João. (13 é Santo Antônio e 29, São Pedro). Certo é que no passado essas datas foram recebidas com expectativa e mesmo comemoração. Na Campo Largo da minha juventude, fogueiras eram acesas e sobre suas brasas eram jogados pinhões, que quentes a gente saboreava no frescor da noite.

Já na “terrinha”, no encantado solo de Portugal, em junho são realizadas as festas conhecidas pelo nome de Santos Populares, apropriadas por reunir os santos com maior número de devotos, acredito. Festas que ainda atendem por nome duplo: juninas pelo mês em que se verificam e joaninas, quiçá porque também no calendário a virtude está no meio.

Singela observação. Essas festas eram celebradas com fogueiras sobre a terra das ruas. Depois veio o progresso, o asfalto revestiu a terra e o fogo “garrou raiva” e não mais foi aceso.

Atualmente ninguém mais lembra de olhar no calendário para saber o dia do santo em que a criança nasceu. Aliás, bom sinal. Não raras vezes me deparo com amigos ou conhecidos que se me apresentam com nomes dos estranhos e fico sabendo que se deve ao santo do seu berço. Deixo de citá-los para evitar constrangimento e, notadamente, porque cada um deve se orgulhar, enaltecer e prestigiar o nome que lhe foi dado. Houve um momento em que, entre amigos, discutimos se não seria melhor deixar a criança crescer e, ao ter consciência, escolher seu próprio nome.

P.S. – Deixa pra lá. Isso é problema para os filósofos, se é que eles ainda professam.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 6/junho/2007