Bacharel em Direito pela gloriosa Universidade Federal do Paraná, trabalhei nessa área por umas três décadas, com o entusiasmo de um jovem idealista, depositando a mais elevada confiança no direito e na Justiça.
Experimentei momentos de grande emoção defendendo vários inocentes, alguns nem tanto, no Tribunal do júri, um dos pilares do direito penal.
E reconheço que, por vezes, deixei a legislação de lado e aconselhei um cliente (somente um!) a fugir. Depois de ele ter confessado perante testemunhas o que tinha feito, não havia Salvador de Maio (o grande absolvidor da época) que o livrasse da cadeia. Um parente me afirmou que ele fugiu para São Paulo e jamais tive novas notícias.
Afinal, por que motivo estou relembrando isso? Porque o advogado Nélson Passos Alfonso, defensor de Genival Inácio da Silva (Vavá), irmão do presidente da República, declarou ser o seu constituinte “um homem muito simples, de pouca cultura, que não sabe se comportar na frente de um ministro e, por essa razão, não teria condições de ser um lobista”.
Vavá é acusado pela Polícia Federal de intermediar esquemas da máfia de máquinas caça-níqueis e, assim, preso na chamada operação Xeque-Mate.
Em seguida, a imprensa foi convocada para uma entrevista coletiva em São Bernardo do Campo, na qual Vavá se defenderia. Ocorre que Vavá não apareceu e foi representado por seu advogado e pelo filho Édson Inácio Marin da Silva.
E o único argumento levantado em defesa do irmão do presidente foi o de que ele não tem condições intelectuais para intermediar esquemas no governo. Como uma das provas foi uma gravação em que Vavá falava em máquinas, o causídico rebateu alegando que ele se referia a máquinas de terraplanagem e não máquinas caça-níqueis.
P.S. – Tudo bem. Que vá vá…
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 13/junho/2007
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