Antes de tudo, vamos nos localizar. Pádua é uma cidade na província italiana do mesmo nome, junto ao Rio Bacchiglione, local onde, no ano 59 a.C., nasceu o historiador Tito Livio. Em Pádua viveu Dante e morreu Santo Santo Antônio de Lisboa, por isso chamado S.A. de Pádua. A Universidade de Pádua, onde Galileu lecionou, fundada em 1222, só não é a mais antiga da Itália porque perde para a Universidade de Bolonha.

Muito bem. Pádua tem atualmente um prefeito chamado Flávio Zanonato, bem votado, rigoroso e… moralista.

Tão moralista que conseguiu a aprovação de uma lei que manda aplicar multa de 50 euros aos clientes da prostituição (clientes?) e, ainda, proíbe a qualquer pessoa de se vestir em público de qualquer modo considerado ofensivo à decência. E, interpelado pela imprensa, justificou: “É um dos deveres primários da administração garantir a segurança daqueles que usam as ruas da cidade, de dia ou a noite, onde existe o fenômeno da prostituição”.

A revolta foi imediata. De acordo com noticiário da imprensa italiana, mais de 80% das prostitutas (não se informou quantas elas são em Pádua) da cidade aderiram a um protesto, com o seguinte lema: levou multa, sexo de graça! E elas anunciaram que passariam a usar um distintivo cor-de-rosa para que o cliente tenha certeza de que, se for multado, será reembolsado.

Pádua é uma cidade em pleno rebuliço, na qual os assuntos do dia são o prefeito, a multa proposta por ele e a reação feminina com o sexo de graça. O debate se transformou em batalha religiosa e enorme controvérsia política, com “elas” gritando: “Nós também sabemos votar”. Por certo, e voto com valor igual a de qualquer autoridade influente.

Não fiquei sabendo se as eleições estão próximas ou não. Mas há de ser uma divertida campanha política: contra ou a favor da prostituição, e de multa e do sexo de graça? E o prefeito Flávio Zanonato, como é que vai ficar nesse inusitado “imbróglio”?

P.S. – “É a minha conclusão que no Ocidente se pensa muito no sexo e pouco nas mulheres”. Lin Yutang escritor oriental falecido em 1976, em seu livro A importância de viver, versão brasileira de Mário Quintana.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 15/junho/2007