O vocábulo emblemática não é de uso constante, mas dele gosto e seu significado é bastante conhecido, exemplar, significativo nos contornos de um emblema ou símbolo que a ninguém desagrada.
Assim, há pessoas, empresas, ruas, instituições e cidades emblemáticas.
Digamos, recorrendo a um pensamento facilmente assimilável, um lugar que se conhece e pelo qual se apaixona, guardando-o sempre na lembrança.
Meu coração brasileiro tem o Rio de Janeiro como legítima cidade emblemática.
Por todos os motivos que nós conhecemos e que não cessam de encantar turistas de todos os quadrantes. Hoje estou numa posição paradoxal, tal como a de sentir inveja do cidadão que chega ao Rio de Janeiro, notadamente de avião, pela primeira vez. Aliás, continuo sem entender por que a Cidade Maravilhosa não é líder mundial em turismo? A não ser que por nossa própria culpa.
Há, evidentemente, outras cidades emblemáticas. Nápoles, Istambul, Veneza, Londres, Marrocos, Sidney e, por que não Buenos Aires. Não, não esqueci: Paris e Nova York, são “hour concour”.
E, na minha memória, a emblemática Jerusalém. Aliás, uma visita a Israel é quase uma viagem de sonhos.
Israel… no dia 7 de junho de 1967, o lugar sagrado do judaísmo, símbolo do antigo sonho por um estado nacional, quase vinte anos após a criação do país, era colocado sob seu controle… o chamado Muro das Lamentações, que a vida me proporcionou a felicidade de conhecer. Sucede que, até aquela data, a chamada cidade velha, onde está situado o muro, estava sob o controle da Jordânia, e pior, separada fortemente por muros e arames farpados. Não chegava a ser um muro de Berlim, mas…
No ano de 1967, a chamada Guerra dos Seis Dias (que rapidez!) mudou a geografia da região. Os israelenses comemoram a reunificação de 1967, com entusiasmo, dizendo que “antes não tínhamos acesso ao nosso mais sagrado lugar e a cidade era atrasada econômica e socialmente. Hoje, é uma cidade moderna”.
Lastimavelmente, não existe ainda a confraternização que encontramos aqui no Brasil; judeus e árabes vivem em bairros distintos, com centros comerciais e culturais separados; raramente alguém atravessa essa “fronteira” injustificável.
Os 245 mil árabes de Jerusalém não reconhecem a soberania de Israel sobre a área oriental, tanto que eles praticam desobediência civil, deixando de votar e de participar em qualquer instituição pública, enquanto a Prefeitura negligencia a assistência aos bairros árabes. Há mais, a divisão entre os judeus laicos e os ultra-ortodoxos. O conservadorismo religioso que se opõe à abertura de locais de entretenimento durante o sabá (o sábado judaico) contribui para afugentar a população laica, aproximadamente 16 mil judeus deixam Jerusalém por ano sob pressão dos conservadores, o que inclusive dificulta a oferta de emprego.
P.S. – Tristemente, Jerusalém é hoje a cidade mais carente de Israel, na qual 36% da população vivem abaixo da linha da pobreza. E estamos falando de um povo com enorme potencial!
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 16/junho/2007
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