Inquestionavelmente é uma atitude ousada, passar de chefe de cozinha a escritora de livros. Creio que com isso todos concordam, como acredito que muitos conhecem a autora que já deve estar revisando sua obra: Flora Madalosso. Quando se leu Flora, alguém deve ter imaginado a querida Munhoz da Rocha. Mas pelo sobrenome a imaginação já nos transporta a Santa Felicidade.
Ali, para onde meia-Curitiba vai se alimentar notadamente aos domingos, bairro que coloca em destaque a culinária curitibana e deixa os turistas levando saudades no estômago.
Flora Madalosso, à frente do marido Ademar Bertoli (não é de estranhar, pois em matéria de cozinha, a mulher está sempre na frente, com raras exceções), lá pelos idos de 1963, abriu um restaurante simples e pequeno, apenas uma funcionária e lugar para 24 pessoas.
Passado meio século, esse quase boteco se transformou em um dos maiores do mundo, com capacidade para matar a fome simultaneamente de cinco mil pessoas e figurar no guiness.
Acordando geralmente pelas oito horas, Flora toma seu café, já vai para o restaurante e fica organizando tudo para atender a multidão que nunca falha, volta para almoçar (?) e uma hora mais tarde de novo no restaurante, de onde sai após o último freguês.
Curioso que ela afirma que toda quarta-feira faz almoço para quatro filhos, noras, genros e netos. Será que eles não gostam da comida do restaurante ou é questão de economia de “la mama”?
Hoje, feliz, saudável e ainda bonita, Flora afirma que o único orgulho que tem é que o sucesso do restaurante deu emprego a muitas famílias. E não só Flora. Foi a pedra fundamental de uma cidade gastronômica dentro de Curitiba; Santa Felicidade hoje é referência nacional e sou testemunha do que afirmo.
P.S. – Duas alegrias pessoais de Flora: tomar banho de piscina em casa. Muito justo. E as reuniões com um grupo de onze amigas que se reúne uma vez por mês… E comem onde?
P.S. 2 – Guarde um dinheirinho que vai sair o livro Entre quatro (só quatro, Flora?) panelas. Autora: Flora Madalosso. Boa leitura e bom apetite!
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 20/junho/2007
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