De acordo com a última informação da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação -, quase um bilhão de pessoas ainda passam fome no mundo. Para ser preciso: 854 milhões.

O mais triste dessa notícia, contudo, é que passados quase dez anos, não se conseguiu atingir um mínimo progresso. O que é, senão um despropósito, ao menos inacreditável, tais são os avanços da agricultura, a facilidade para o transporte de alimentos e, inclusive, algum avanço, ainda que não o ideal, na oferta de empregos. Em realidade, creio existir nesse ponto o “calcanhar de Aquiles” do futuro da humanidade.

Não sei se guardo comigo desde há muito uma idéia fixa, mas tenho procurado alertar que a humanidade está atingindo um nível populacional tão elevado e em tamanha velocidade que, na falta de algum controle, ou de uma política consciente de trazer mais vidas ao mundo, pode nos conduzir a um desenlace dramático.

O informe da FAO faz referência a uma única das fontes que dependemos para sobreviver: alimentação. Não olvidemos que necessitamos de muito mais que comida na mesa.

De minha parte, entretanto, venho advertindo, não é de hoje, que se não houver um mínimo controle de natalidade, vamos acabar chegando a um ponto em que faltará não somente comida, mas remédio, emprego, vaga nos hospitais e muito mais entre tantas coisas que necessitamos para viver com tranquilidade.

E o pior é que mesmo nosso imenso Brasil, com amplo território e enorme área cultivável, não está livre desse apocalipse.

Felizmente o número de mal-nutridos em nosso País tem sido minorado com o passar dos anos. Mas, infelizmente, em 2003, quando do último levantamento de que tomei conhecimento, havia 14,4 milhões de irmãos brasileiros pouco ou quase nada alimentados. Como justificar uma situação dessas numa nação privilegiada pelos céus, com o que há de melhor de solo e clima, quando outras conseguem sobreviver em condições precárias.

P.S. – Se não formos premiados com uma administração eficiente e honesta num futuro, não próximo, mas imediato, corremos o risco de alcançar o Haiti: 47% da população subnutrida…

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 23/junho/2007