Não mais que de repente, a nação foi surpreendida com uma discussão quase retórica envolvendo uma questão política, mas de interesse público: o voto dos representantes do povo dever se secreto ou não? Esse não significa livre, público, de conhecimento pleno daqueles que elegeram o parlamentar votante.
Basta refletir mínimos segundos para se concluir que não se cuida de nenhum enigma. O cargo é público, a instituição onde eles “trabalham”é pública, o dinheiro que paga os seus subsídios é público, como alguém pode almejar impor que nesses caminhos, ainda que por vezes se transforme em labirintos, alguma cabeça possa admitir algum voto ou mais que isso, qualquer ato que não seja público. Ah… até mesmo os vocábulos menos respeitáveis (Vossa Excelência é um…) não devem ser omitidos do conhecimento do povo, ou seja, do eleitor, que tem o direito de ser de tudo bem informado.
E o Estado, enfim, é o que? Os primeiros Estados apareceram na terra há aproximadamente seis mil anos. Não eram eternos, uns desapareciam outros surgiam, como nos mostra a história. Na Idade Média o Estado tinha uma visão praticamente teológica, tanto que em “Provérbios de Ptahhotep”, no Egito (século VIII a.C.) a palavra Deus identificava-se com freqüência com o vocábulo faraó. Nos pronunciamentos de Ypucer (Egito, mesmo século), a vontade do rei é a fonte de todos os acontecimentos do Estado. E até mais proximamente: “L’Estat c’este moi!”.
Já foi defendida, não por poucos, a origem divina do Estado. Se a memória não me engana, o filósofo e teólogo medieval Tomás de Aquino (1225-1274) declarava que era obediente ao Estado por ser ele de origem divina. Com o surgimento de propriedade privada e a divisão da sociedade em classe, para muitos a divisão é em explorados e exploradores, apareceram as chamadas teorias contratuais, que discutem-se “urbi et orbi”, ainda nos dias atuais.
No passado, na Grécia, onde sempre buscamos exemplos, no ano 490 a.C., Pitágoras já defendia que todos os cidadãos devem participar da vida política, com direito de decidir assuntos de Estado. Platão (427 a.C.), por sua vez, imaginava a república aristocrática, com a eleição dos melhores, na época, os sábios, pois considerava o poder do povo como uma frágil (e até a pior) forma de Estado.
As idéias democráticas principiam no século XVIII, com os pensadores franceses, a frente deles Jean Jacques Rosseau (1712-1778). E a teoria científica aparece com aqueles fundadores do comunismo: Marx e Engels.
Não se pode olvidar que Marx e Engels escreveram na época em que o mundo era dominado por regimes conhecidos como feudalismo e, em não raros pontos, escravidão.
P.S. – Sabemos que todos não estamos satisfeitos com as respostas que o Estado nos tem oferecido. (Talvez não por sua culpa mas dos políticos que nós, afinal, geralmente mal escolhemos.) Mas, haverá para ser descoberto um modelo de Estado que possa contentar plenamente a sociedade? Se há tão enorme evolução, não custa sonhar que Cícero tinha razão quando falou lá no começo das tribunas que “A justiça dá a cada um o que é seu”. (Cícero in “De Natura Deorum” – Da natureza dos deuses – cap. III).
P.S. 2 – Com Estado, mas sem segredos.
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