O sábio leitor ainda recorda de Albert Einstein, quiçá o último cérebro privilegiado da nossa era? Einstein nasceu na Alemanha, na cidade de Ulm, em 1879, mas se transferiu para os Estados Unidos na década de 50, depois de ter adotado a nacionalidade suíça na época em que lecionou no Instituto Politécnico de Zurique. Na Suíça ele chegou a ser funcionário do Departamento Nacional de Patentes.

A paixão de Einstein era a física, notadamente a física moderna. Em 1905, realizou estudos sobre o movimento browniano e a respeito do efeito fotoelétrico para a explicação da hipótese quântica lançada por Planck. Para Einstein, a luz é constituída de pequenos fótons que apresentam um “quantum” de energia. Na mesma época lançou a Teoria da Relatividade, que lhe deu renome internacional. Em 1913 foi professor no Instituto Kaiser-Wilhelm, de Berlim, e em 1921 foi contemplado com o Prêmio Nobel de Física.

Perseguido pelo nazismo, viajou para a França, depois para a Bélgica, para a Inglaterra e, finalmente para os EUA, onde logo se tornou diretor do Instituto de Estudos Superiores de Princeton. Como seu prestígio já havia alcançado o território norte-americano, Einstein passou a ser convidado para proferir palestras ou conferências em praticamente todas as universidades norte-americanas. E, sempre, acompanhado de seu fiel motorista, viajava semana após semana para um estado americano diferente para falar sobre suas obras sobre física e matemática. Numa dessas viagens, já retornando, seu motorista o surpreendeu com uma indagação: “Professor, por que é que o senhor sempre costuma repetir sempre a mesma conferência?” “Porque, meu caro, para mim seria muito difícil e ainda mais, cansativo, escrever uma nova a cada sete dias, e, principalmente porque, falando cada vez para um público diferente o que eu falo é sempre novidade. Mas, por que a sua pergunta?”, replicou Einstein. “Porque eu, de tanto ouvir, já sei de cor a sua conferência”, garantiu o motorista. Einstein de início se assustou, mas como sempre fora uma pessoa de espírito alegre e brincalhão, logo propôs: “Então vamos fazer um teste. Na próxima vez você vai falar no meu lugar”. O motorista disse que aceitava, com muito orgulho, o desafio do caro mestre. No convite seguinte, Einstein tomou o volante do carro e chegaram à universidade. O motorista, como se fora conferencista, foi conduzido ao palco e Einstein acomodou-se na platéia. Para seu encanto, o motorista falou precisamente como ele costumava expor, tendo sido, ao final, aplaudido entusiasticamente.

Cessados os aplausos, um dos mestres presentes, cumprimentou-o e, ao concluir, disse que não queria perder a oportunidade para esclarecer uma questão que há tempos o vinha preocupando. Fez, então, uma pergunta da maior complexidade. Einstein, lá no fundo, sentiu um arrepio. Seu esperto motorista, todavia, com tranqüilidade, logo respondeu: “Inicialmente gostaria de agradecer os imerecidos elogios, ainda mais partindo de uma ilustre personalidade. Quanto à sua pergunta, ela parece ser de alta indagação, mas sua resposta não me parece ser das mais difíceis. Tanto assim que eu gostaria que ela fosse respondida por meu motorista…”.

Publicado no jornal “ Gazeta do Povo”, 30/outubro/2007