Bem sei que o leitor está tranqüilo, em casa descansando, se esforçando no trabalho, às vezes sem gostar, ignorando que é o trabalho que prolonga a vida, más, sem dúvida faz planos para uma viagem.
Idéia, certamente, feliz. Viajar é um dos desejos que mais nos acompanha, alguns imaginando poucos dias em São Paulo, a capital nacional do consumismo, outros sonhando com uma temporada no Rio de Janeiro, a mais bela cidade do mundo, fazendo jus ao título de “Cidade Maravilhosa”, e quando confirmo esse apelido, o faço com uma pequena autoridade de quem já percorreu boa parte do globo, conhecendo nossas Américas, a Europa e até algum território africano.
Estou abordando viagens porque para conhecer um vulcão é preciso viajar. E estou falando de vulcão ao tomar conhecimento que mais um turista, desta vez chinês, perdeu a vida ao cair, há alguns dias, na cratera do vulcão Nyiragongo, localizado no setor leste da República do Congo. Com efeito, Cecília Cheng Siuyan escalava a borda do vulcão, próximo à fronteira com Ruanda e almejando tirar fotografias especiais ou diferentes, inclinou-se demais e acabou caindo a mais de 100 metros sobre um lago de larvas. Um grupo de 20 índios do Congo trabalhou mais de 24 horas tentando tirar seu corpo; a notícia não informa quando e se foi retirado.
Detive-me sobre o assunto por culpa de minha memória que recordou a morte do nosso conterrâneo, jornalista como eu, Antônio Silva Jardim (o caro leitor que mora na Rua Silva Jardim sabia disso?) que nasceu em Capivari, no Rio de Janeiro, em 1860 e, ao fazer a viagem dos seus sonhos, acabou perdendo a vida quando quis conhecer um vulcão e acabou tragado pelo famoso Vesúvio. Silva Jardim foi um dos mais ativos defensores da República e ignorado por ela, desgostoso, viajou para a Itália, na verdade viajou de encontro à morte.
Viajar é uma delícia – às vezes, dependendo dos lugares, da companhia, do tempo e da saúde… ah, e do dinheiro, já que a Europa, com o euro, ficou para os milionários. Ainda bem que já a vi e revi. Mas viajar para ver vulcão, montanhas e outras paisagens (cuidado com o Grand Canyon) só com muita cautela e segurança. Até a nossa atraente Vila Velha exige algum cuidado. E cuidado custa menos do que caldo de galinha. Cuidado não tem custo nenhum e,sei lá porque, há momentos em que nos esquecemos dele.
Publicado no jornal “Gazeta do Povo”, 30 de novembro de 2007
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