Por mais de uma vez o senador Renan Calheiros, do alto de sua tribuna afirmou que todas as acusações contra sua pessoa são culpa exclusivamente da imprensa.

E com uma oração segura, embora não muito machadiana, proclamou: “Quero repudiar mais uma vez uma indignidade que o mau jornalismo me atribuiu de forma mais infame, mais abjeta. Todas essas mentiras dessa cooperativa de calúnia contra mim, foram derrubadas pela força da verdade. Todas as acusações torpes foram desmascaradas”.

Quais as acusações? Articulação para afastar Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon da Comissão de Constituição e Justiça (a mais importante das Comissões) em represália, por terem ambos defendido o seu afastamento da presidência.

Renan fazia, então, uma acusação ao jornal “O Estado de S.Paulo”, inquestionavelmente o grande porta-voz da liberdade de expressão da gente brasileira. E a liberdade de expressão, na feliz definição do meu especial amigo ministro Carlos Ayres Brito, “é a expressão da liberdade”.

Mais que isso. Pilar indispensável na arquitetura que sustenta o, às vezes frágil, edifício da democracia.

Recordo seguidamente e creio que já o afirmei publicamente, a opinião de um mestre norte-americano durante um seminário do qual tive a honra de participar em Washington D.C., sintetizada nas seguintes palavras: “A liberdade de imprensa não é uma simples liberdade dada aos meios de comunicação. É a vertente que o Estado abre para que a opinião pública possa acompanhar, e mesmo fiscalizar, os atos e a postura política e ética, daqueles em quem depositou a sua confiança para representá-la na administração governamental”.

Exato. A imprensa é livre não em seu benefício e sim com a finalidade de que o povo permaneça bem informado. E não sem razão recebeu do maio de todos os brasileiros inúmeras sábias definições, a exemplo de: “De todas as liberdades, é a da imprensa a mais necessária e a mais conspícua; sobreanceia e reina entre as demais”. “Os perigos sempre desceram sobre os governo com a supressão ou restrição da imprensa”. “Os desonradores da mais nobre das profissões, os mercadores da mais ignóbil das mercaturas, os vendedores de imprensa ao poder”. Rui Barbosa. A esses pensamentos é oportuno acrescer a visão de Thomas Jefferson: “Onde a imprensa é livre e toda pessoa é capaz de ler, tudo está salvo”.

Ocorre que ao lado dessas personalidades, outras existem, às vezes até bem votadas, mas nem sempre igualmente respeitadas, que ainda acreditam que “a culpa é da imprensa”… Sempre.

P.S.- Ilustre senador Renan Calheiros: A imprensa é tão culpada daquilo que informa, quantos os sinos das igrejas daquilo que anunciam no ritual que tradicionalmente ouvimos em um funeral.