Não mais que de repente, o mundo foi surpreendido com a renúncia de Fidel Castro, já então o mais antigo ditador do mundo. Creio que hoje não poderei elogiá-lo, como o fiz quando tomei conhecimento do seu grito revolucionário em Sierra Maestra, que me empolgou como jovem jornalista da época (ainda daqueles que começam com a esperança de mudar o curso da história). Se minha memória, que não é das melhores, não me engana, à época escrevi, até com algum entusiasmo (o que excepcionalmente me afeta no jornalismo) artigo sob o título “Todo apoio a Sierra Maestra”. No fundo, não se tratava de um apoio a Fidel, mas notadamente a vontade de documentar a queda da ditadura (malvada e indesejável como todas) de Fulgêncio Batista.

E continuei entusiasmado com Fidel até o dia em que fui surpreendido pelo seu pronunciamento oficial declarando que: “Cuba não precisa mais de eleições”. Como a maioria do povo cubano, eu também me havia enganado. Aliás, não são poucas as vezes que a política nos ilude.

Agora aquele jovem que combateu a ditadura, já velho e doente, acaba de renunciar ao poder. Por que?

As notícias oficiais dão lá suas razões, mas meditando sobre o que venho lendo cheguei a uma conclusão muito minha. Primeiro, é verdade eu Fidel já idoso e enfrentando problemas de saúde tenha se sentido indisposto para se manter na presidência como ditador e, bem por isso com uma frente oposicionista permanente e batalhadora, que não dá trégua ao poder governante cubano e tem cada vez mais esperança em derrubá-lo, segundo porque nesta oportunidade a presidência foi cair nas mãos de seu irmão Raul, ou seja continua com a família, sem alterações quer de rumo político ou administrativo, quer na manutenção da máquina política que Fidel instituiu em Cuba, e terceiro e último, mas não menos importante porque, curiosamente, acabei de tomar conhecimento dos salários de alguns dos presidentes das Américas. Podem anotar. Em dólares americanos: primeiro – George Bush, Estados Unidos – 30.000; segundo – Michele Bachelet, Chile – 13.754; terceiro- Felipe Calderón, México – 13.000; quarto – Hugo Chavez, Venezuela, 8.832; quinto – o nosso Luiz Inácio Lula da Silva – 6.488 (eu falta faz o petróleo em nosso país, não Lula?); sexto – Alan Garcia, Peru – 5.400; sétimo – Cristina Fernandez, Argentina – 4.257 e, final e surpreendentemente, Fidel Castro com 30 dólares. Não terá havido algum engano. Então está certo, eu também renunciaria.