Eu não sabia e creio que o leitor também não. Agora, acabei descobrindo que nós, integrantes da classe média brasileira, somos aqueles que mais pagam imposto sobre a renda entre todos os países da América do Sul. E o resultado foi anunciado por fonte altamente confiável: a Consultoria Ernest & Young. Em alguns países há alíquotas mais altas, mas que incidem apenas sobre as grandes fortunas.
Enquanto um brasileiro que recebe salário superior a R$ 2.700 repassa para o governo 27,5%, quem recebe a mesma importância na Colômbia paga apenas 19%, e no Peru paga 15% e na Bolívia 13%, no Chile 5% e, acreditem, na Venezuela são isentos.
E o peso dessa carga tributária é ainda mais sacrificante se tivermos em conta que não há uma reversão justa dos serviços públicos de qualidade. O brasileiro desembolsa para efetuar pagamentos em saúde, educação e previdência privada.
Com o crescimento de 5,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2007 a arrecadação deve atingir R$ 930 bilhões. Cruzes, vamos chegar logo a um trilhão; vai faltar zero nas contabilidades. Neste 2008, com a elevação do IOF sobre as operações de crédito a previsão é de contínua alta.
Em realidade nada mais nos assusta. Já nos habituamos que pagar impostos é uma obrigação da qual “poucos” escapam e também já sepultamos as esperanças de ter o valor dos impostos revertidos em benefício do povo, como afirma-se ser regra no regime democrático que, inobstante, continua sendo o melhor de todos, ou para ser mais severo, o menos ruim deles.
Algumas vezes, dialogando com meus botões, me pergunto onde é que o governo consegue aplicar tão elevadas somas sem que possamos sentir qualquer reflexo positivo em benefício da população. E que num país com tamanhas possibilidades como nosso Brasil ainda existem pessoas que não tenham condições de se alimentar devidamente. Porquanto, na verdade uma das finalidades do pagamento do imposto de renda, com alíquotas cada vez mais altas, seria a de procurar alcançar um melhor equilíbrio no poder aquisitivo das famílias.
P.S. – Ninguém reclama em recolher tributos ao governo, o que todos querem é que esses tributos sejam aplicados em benefício dos menos favorecidos.
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