Aconteceu há pouco mais de um ano, mas na oportunidade ninguém deu importância ao fato. Sei lá porque, no momento em que o releio, pareceu-me de algum interesse. Qual fato?

Foi o seguinte: O Museu de Arte Moderna, do Rio de Janeiro, viu-se forçado a adiar a inauguração da esperada exposição “Marylin Monroe, o mito!”. E o motivo? O motivo foi que os fiscais examinaram a bagagem e ao se depararem com fotos de Marilyn Monroe decidiram interditá-las. Justificativa: Não se trata de obra de arte.

E tudo ficou retido no aeroporto internacional de Guarulhos.

Trata-se de 62 fotos que, anteriormente, estiveram em exposição em Museus de Paris e Nova York.

O inspetor-chefe da Receita, José Antônio Gaeta Mendes, afirmou estar somente cumprindo a lei. Como gostam de dizer alhures, ora a lei!?

As fotos revelam Marilyn na intimidade, com pouca roupa e sem maquiagem, e foram clicadas pelo fotógrafo americano Bert Stern, poucos dias antes de M.M. ser encontrada morta, no dia 5 de agosto, aos 36 anos.

Marilyn, cujo nome verdadeiro era Norma Jean Baker, ganhou o estrelato depois de aparecer linda e sensualmente nos filmes “Quanto mais quente melhor”, “O pecado mora ao lado” e “Os homens preferem as loiras”, época em que aparecendo na capa da “Play-boy”, fez a revista alcançar uma tiragem recorde.

“Não. Não se trata de obra de arte, portanto não libero”, declarou enfaticamente.

Pode parecer incrível, mas a questão foi acabar nas mãos da Justiça que, com bom senso e inteligência, determinou a imediata liberação.

Detalhe menos mas ainda significativo: A exposição das fotos de M.M. se destinava a um evento cuja renda seria distribuída entre 60 instituições filantrópicas da zona oeste do Rio de Janeiro.

P.S. – Não se trata de obra de arte? Que significa que se fosse uma estátua de Marilyn seria uma obra de arte, mas ao vivo nem pensar… Ou esse pessoal não entende de arte ou não entende de mulher!?