“São todos abutres”. A acusação foi feita aos jornalistas pelo ex-governador (1999 a 2002) Anthony Garotinho, do Rio de Janeiro, repetindo a lição que diz ter aprendido no curso de Jornalismo com um professor que ele não identificou.
O governador justifica a sua acusação com base no tratamento que é dado pela imprensa carioca à cobertura dos fatos policiais. Diz ele: “Quando morre uma pessoa, eles vão lá e ouvem a mãe, a família inteira para preencher espaço”.
As declarações do governador não foram a esmo, mas, sim, em cerimônia solene realizada para quando da abertura do Seminário do Governo para a Secretaria de Segurança apresentar os seus projetos para as demais secretarias.
“A mídia é injusta”, reiterou o governador. “Os jornais tentaram desmoralizar o secretário Josias Quintal dizendo que ele foi à Colômbia, com a promotora Márcia Velasco e o coronel Lenine de Freitas, prender o traficante Fernandinho Beira-Mar. O secretário foi passar informações. A polícia da Colômbia não tinha dimensão de quem era o Fernandinho. Foi uma falta de respeito e de amor à cidade. A polícia do Rio prendeu 42 integrantes desse traficante quando a obrigação era da Polícia Federal. A mídia tem informado de forma irresponsável um fato isolado em fato global”, concluiu.
Dizer que a mídia é injusta é um direito que o ex-governador tem, da mesma forma que a mídia pode considerá-lo, em várias questões, também injusto. Mas dizer que todos são abutres é não compreender o Jornalismo. Ou não aceitar o jornalismo investigativo, um dos que mais presta serviço à sociedade.
Não teria o então governador a ingenuidade de imaginar que iria administrar uma cidade como o Rio de Janeiro e a imprensa não iria acompanhar os seus atos. O governador precisa ler com urgência uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos: “A liberdade de imprensa existe para que os jornais possam bem fiscalizar a administração pública, sem que sejam incomodados por isso”.
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