Brasil, 13 de maio de 1808, “Gazeta do Rio de Janeiro”, editada pela… Imprensa Régia, ou seja, oficial. Palavra do poder, palavra de Portugal.
Começou a circular semanalmente, após duas vezes por semana.
Já, curiosamente, o primeiro jornal brasileiro, ou seja, escrito por gente nossa, foi gerado em solo inglês, por Hipólito José da Costa que, perseguido pela inquisição em Lisboa se refugiou em Londres e ali começou a escrever o “Correio Braziliense”, nome bastante apropriado, já que o jornal era transportado de navio para o Brasil e vinha “brigando” pela nossa independência.
O jornal de Hipólito, não se sabe bem com quanto sacrifício, tirou 175 edições e parou. Mas que fôlego! Foram treze anos.
Só em 1821, quando aconteceu a retirada da corte portuguesa para Lisboa, é que começou a florescer a imprensa brasileira. Surgiram, quase a um só tempo, vinte periódicos, dos quais o de maior significado, o “Diário do Rio de Janeiro”, no Rio evidentemente, mas instalado por um português de nome Zefferino Vito de Meirelles. O “Diário do Rio de Janeiro” teve em sua direção Saldanha Marinho e como chefe de redação Quintino Bocaiuva.
Desse ponto para frente foi mais fácil, jornais e revistas brotando no Rio, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul e evidentemente Paraná.
De início, como mera comarca de São Paulo, de tal modo que nossos antepassados costumavam ler o “Paulista Oficial”. E mais tarde “O Governista”, também paulistano. Títulos de mau gosto, não?
Por aqui, coube a Cândido Lopes, utilizando-se da gráfica instalada para rodar o Diário Oficial, lançar o nosso primeiro periódico, creio que em 1854, na impressão que vi está quase ilegível, mas esse exemplar número um está em exposição no Museu Paranaense. Chamava-se “O 19 de Dezembro”, saia só aos sábados e custava 160 réis. Depois as quartas e sábados. À época o Paraná era chefiado por um presidente (não era governador) de nome José Francisco Cardoso, que, boquirroto, chamava o Paraná de “terra de selvagens”, enquanto os curitibanos respondiam com a mesma moeda, chamando-o de Cardozinho-maluco, segundo anotou Ermelino Agostinho de Leão que ainda conta: “A sua administração caiu na contramão dos políticos da província, tendo ocorrido distúrbios em Curitiba, que ficaram conhecidos pelo nome de ‘Cardosadas’, tanto que ao deixar o posto a população promoveu uma manifestação de desagrado”. Era 1861, e o Dezenove de Dezembro escrevia: “O que vemos no Presidente? Um Presidente disfarçado… anarquizando a governação pública, pervertendo as crenças políticas… Não se imagina o descaso e despudor com que esse presidente espoleta se portou.
E fez o quê? Criou a 19 de fevereiro de 1861 o Correio Oficial que já na primeira edição lascou: “Havendo Candido Martins Lopes, proprietário d’O Dezenove de Dezembro, que publicava os atos oficiais, se declarado em oposição à administração e não convindo que semelhante indivíduo continue no exercício do cargo de subdelegado da capital, resolve o Presidente da Província, exonerá-lo a bem do serviço público”.
Mais tarde o Dezenove passou à circulação diária: Foi a primeira folha periódica que se publicou na Província, justo seria que fosse a primeira que iniciasse a publicação diária. Candido Lopes, no entanto, não chegou a viver essa alegria, falecera a 27 de dezembro de 1871 e seu filho, Jesuino Lopes, assumiu a direção do jornal. Contudo a 9 de abril de 1890 publicava na primeira página o Decreto 83, de 23 de dezembro de 89, impondo restrições à liberdade de expressão e explicava: À vista desse Decreto, o Dezenove suspende temporariamente sua publicação até que se restabeleça a plena liberdade de imprensa. Seguiam-se três páginas em branco. Jamais voltou a circular, mas deixou à imprensa araucariana um exemplo a ser sempre observado.
P.S. – Se dependesse da minha decisão termos um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda alternativa. (Thomas Jefferson, presidente Norte-Americano falecido em 1826)
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