O agradável livro que acabo de ler leva o nome de “O Ateliê de Leonardo da Vinci”, escrito por Arielle Naudé e Annie-Claude Martin e foi ali que me deparei com o relato que faço questão de submeter ao exame do paciente leitor. Sob o título de “Tempos Novos”, Leonardo da Vinci faleceu em 1519 e o livro editado em Paris em 1993, pela Editions Nathan, e no Brasil, em 1996, pela Editora Augustus (SP) e descreve o seguinte: “Fortalezas com resistentes muralhas… Cavaleiros pesadamente cobertos por armaduras… Monges que copiam manuscritos incansavelmente… Uma Igreja poderosa que controla a vida das pessoas. Épocas trágicas em que a guerra, a forme e grandes epidemias atingem populações da cidade e do campo. Imagens que nos levam à Idade Média, com acúmulo de tragédias e desgraças”.
Esse quadro, contudo, não impede que, pela metade do século XV, a Europa Ocidental conheça novos tempos, na ciência, na arte, nas invenções e na descoberta de novo mundo.

E… a grande descoberta, para mim mais importante do que a pólvora!… O LIVRO! No ano de 1450, trabalhavam muito os copistas, escrevendo à mão todos os textos, o que exigia tempo e era caro. Até que Johan Gutemberg trabalha e pesquisa em silêncio e, criando os tipos móveis, abre as portas para a imprensa (como a vida é ingrata aos gênios, não permitindo que celebrem o sucesso de sua criação!).

A partir dele um livro vai poder ser reproduzido em centenas de exemplares, circulará facilmente, chegará a todos e (milagre!) vai constituir bibliotecas disponíveis a leitores de todos os quadrantes. Livros antigos, escritos na língua oficial (latim) são passados à linguagem popular, já não são privilégio dos sábios (os que dominavam o latim).

Gutemberg jamais poderia ter ideia de que nos 50 anos seguintes (1450-1500) vinte milhões de livros seriam lançados e no século XVI 200 milhões. Hoje, alguém sabe quantos?…

Mas, no dia 15 de abril de 1452, numa casa de pedra, simples, num lugarejo do interior toscano, uma jovem camponesa dá a luz um menino a quem chama Leonardo. Essa jovem (Catarina) não era casada com o pai da criança, de nome Piero e filho de um tabelião. Em 1468, Piero leva Leonardo a uma “bottega”, para aprender o ofício de artista. (Viva a ideia de Piero).

Essa “bottega” é a escola de Andréa Verrochio, a de maior conceito na cidade. Com 22 anos, Leonardo completa o aprendizado e, entre cadernos, livros, pequenos diários e pedaços de papel sobre os quais desenha e escreve (da direita para a esquerda!), ele era canhoto.

1482, Leonardo deixa sua terra natal e vai para Milão, onde é esperado pelo Duque Ludovido Sforza, a quem havia escrito uma carta com talento que impressionou Sua Excelência. Em 1500 troca Milão por Veneza (a mais encantadora cidade do mundo) e volta a Florença, de onde César Borgia (Duque de Romagne) o chama a Mântua, para ser seu arquiteto e engenheiro. E continua mudando de cidades, inclusive Roma, a serviço do Papa Leão X, da poderosa família Médici. Em 1515, é convidado pelo rei da França (Francisco I), aceita o convite e ali vive os últimos anos, falecendo no Castelo de Cloux (hoje Clos-Loucé), aos 77 anos, e deixando ainda um valioso acervo de desenhos, projetos de quadros e esboços, que não se sabe quem aproveitou.

P.S. – Leonardo escreveu: “Na pintura posso fazer tudo”. E fez! Pintou Gioconda (Mona Lisa), que milhares fazem fila para apreciar no Museu do Louvre e cujo valor é quase igual ao do próprio Museu.

P.S. 2 – Não sou de gostar de cópias, mas como foi impossível adquirir a Mona Lisa, contentei-me com uma gravura, das inúmeras espalhadas pelo globo, que admiro diariamente.