O Aurélio afirma que cachaça é a espuma grossa que se tira na primeira fervura do suco da cana na caldeira. Sabia disso “seu bebum”? Eu não, aliás, jamais ingeri bebida destilada… Nem o saudoso cuba-libre tão em moda na minha juventude. Não se trata de capricho, nem de religião. É questão de gosto. Meu esôfago só aceita líquidos suaves e agradáveis. Não é chique não, chique são considerados os que bebem uísque. Quando vou a uma festa fina de amigo em que não servem refrigerantes, eu apanho a primeira oferta e fico segurando o copo até o final para não me perturbarem a cada passo. Aprendi depois de algum tempo.

Mas por que a “marvada pinga” me vem a ideia se ela não é da minha praia? Asucede que a jornalista Marli Ribeiro descobriu que nossa cachaça está com suas vendas caindo no mercado interno, de 2% a 3% ao ano, fenômeno que tem várias causas, notadamente, acreditem, o grande avanço da fé evangélica em nosso país. Pode parecer estranho, já que em economia o consumo sempre aumenta com o tempo, mas há dez anos o Brasil chegou a produzir 1,3 bilhão de litros. E, pior, as exportações que foram iniciadas com alvíssaras, vem se mantendo estável nos últimos cinco anos, segundo números do Instituto Brasileiro da Cachaça. Sim, ele existe e seu presidente é o senhor Cesar Rosa. De onde? Da Tatuzinho! Detalhe: em 2001 eram engarrafadas por distribuidores europeus apenas quatro marcas. Hoje são mais de 100, sempre usando a referência “original do Brazil”, talvez de outro já que o nosso disso não tem conhecimento. E pior ainda, há lugares em que engarrafadores estrangeiros compram álcool, misturam água e açúcar e estampam um rótulo e designam: “original do Brazil”.

P.S. – Então no domingo vai uma “branquinha”, ou abrideira, água-que-santo não bebe, caninha, aguardente, água-benta, arrebenta-peito, calibrinha, azuladinha, bagaceira, birita, capote-de-pobre, caxaramba, corta-bainha, dona-branca, engasga-gato, esquenta-por-dentro, danada, dengosa, gororoba, guampa, girgolina, jurubita, “homeopatia”, lindinha, maçangana, malunga, mamãe-de-aluana, mandureba, maria-branca, marafo, tira-teima, tiúba, meu consolo, mata-bicho, miscorete, morretiana, pina, parati, pilóia, monjopina, purinha, suor-de-alambique, supupara, quebra-goela, sete-virtudes, zuninga, xinapre, perigosa, tafiá, baronesa e terebentina. Na verdade os sinônimos vão tão longe que se citá-los todos eu não deixaria espaço para os ilustrados colegas da redação. Os que bebem e os que não bebem, como eu. Saúde!