Ano 2009, satélite artificial, homem na lua, a sociedade em progresso e o mundo em paz, e alguém reinventa a censura. É difícil de acreditar mas a Associação Nacional de Jornais acaba de anunciar que registrou nada menos de 12 casos de censura em 13 meses. Parece até esquema devidamente organizado: Certo rapazes, vamos censurar pelo menos um a cada mês. É para mostrar serviço.

Já escrevi certa vez mas repito agora: Censura é a arma de defesa da administração pública, usada notadamente em sistemas ditatoriais com a finalidade de ocultar a incompetência e principalmente a corrupção.

O caso mais recente, e atualmente em voga, envolve o principal jornal brasileiro e um dos mais importantes da América do Sul: O Estado de São Paulo, minha leitura diária há muitos anos.

E por quê? Esse jornal de tradição secular e de respeito generalizado, por decisão de um desembargador do Distrito Federal, cujo nome me recuso a citar, decidiu proibir o jornal de publicar informações relativas a uma investigação da Polícia Federal que atingiu Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, aquele do “mustache”. E a sentença determinou que o seu descumprimento seria punido com multa de 150 mil reais. É difícil imaginar que um juiz de direito não tenha lido a Constituição da República Federativa do Brasil que logo no início tratando Dos Direitos e Garantias Fundamentais, quiçá a sua parte de maior relevância, diz expressamente: É livre a manifestação de pensamento, vedado o anonimato. Por que a vedação, para que em caso de abuso o responsável possa ser processado, a não ser que amigavelmente repare a sua falha.

P.S. – Será que essa gente não sabe ler ou desconhece a lei magna da nação que no seu art. 5º inciso IV prescreve – É LIVRE A MANIFESTAÇÃO DE PENSAMENTO; e no inciso IX ratifica enfaticamente: É livre a expressão da atividade intelectual artística, científica e de COMUNICAÇÃO, independentemente de CENSURA ou licença. Censura? Será que alguém ainda está na Idade da Pedra?