Esta é uma pequena história, mas inaudita e curiosa. Creio que a década era de 50. Eu, recém diplomado bacharel em Direito pela gloriosa Universidade Federal do Paraná, anel com pedra vermelha na mão esquerda, em companhia de dois colegas e especiais amigos, Gabriel Baron e Odilon Tulio Vargas, decidimos abrir escritório jurídico e encontramos um lugar excepcional: Praça Osório, o segundo edifício com galeria da cidade, denominado Ana Cristina, nome dado por seu pai Jaime Canet Júnior que construiu o prédio. Segundo andar, de frente para a praça.
E à noite eu dirigia o jornal O Estado do Paraná. Poucos lembram, mas num passado não mui distante, os jornais trabalhavam à noite. E não sem razão, pois só à noite era possível ter todas as informações ocorridas durante o dia.
Sucedeu que determinada noite Baron foi ao jornal e chegou na minha sala. Que houve, você por aqui? Sim, vim trazer para você conhecer o novo Secretário de Agricultura do governo Ney Braga. Quem é? Paulo Cruz Pimentel. E daí? É paulista, mas vem de Porecatu, Norte paranaense, com grande experiência agropecuária. Tudo bem Baron. Eu estou ocupado para o fechamento da edição, mas vou chamar um repórter para entrevistá-lo. Ou seja, não recebi o sr. Paulo Pimentel. Acredito que me julgava mais importante do que ele. Noite seguinte o Baron me convida a jantar em sua residência. Lá fui e, então, fiquei conhecendo Paulo Pimentel. Incrível: 15 minutos de conversa e parecíamos amigos desde a outra geração. Simples, bem falante, simpático, inteligente, ou seja, pessoa com quem a gente tem o prazer de trocar ideias.
Dia seguinte meu telefone no jornal bateu, era o Paulo.
Pois não Secretário. Preciso de um favor seu. Pois não. Ofereceram-me para comprar o jornal O Dia; como não entendo disso gostaria que você desse uma olhada para mim. Com prazer. Desloquei-me para o Batel, próximo ao castelo do Lupion que era o proprietário do jornal, fui recebido gentilmente por Dona Hermínia e levado a uma sala onde esperei alguns minutos já que o Governador estava recebendo o presidente da Assembléia Legislativa. Curiosidade: nessa sala divisei um quadro com os seguinte dizeres: “Vivei como se cada dia tivésseis de morrer. Estudai como se eternamente tivésseis de viver. São Jerônimo.”
Encantado, anotei e adotei como lema de vida. E nas palestras que proferi por este Brasil afora, capitais de todos os Estados, menos o Acre, costumava encerrar minha fala com a lição de São Jerônimo. Certo que São Jerônimo todos conhecem, sabem poucos, todavia, o que devemos a ele e que não é pouco. A Bíblia era escrita no latim clássico, daquela época e que na verdade só os padres conseguiam entender. Coube a São Jerônimo a missão de passar a Bíblia para o latim vulgar ao alcance de praticamente todos.
P.S. – Apenas esse feito já o tornaria digno de um prêmio Nobel.
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