Quem diria que uma coisa dessas pudesse vir a acontecer logo na França. A França que difundiu, praticamente, os direitos humanos pelo mundo, quando da sua revolução proclamou o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, hoje princípios que se transformaram em lei em todos os países democráticos.
Agora, a discussão começou sobre o direito de uso de símbolos religiosos no serviço público e nas escolas mantidas pelo Estado.

Com a gestão do ministro da Educação, Luc Ferry, anunciou-se que bandanas e barbas também poderiam ser alvo de proibição, logo depois do governo interferir igualmente na utilização de lenços coloridos para serem usados em lugar do véu islâmico para cobrir a cabeça das jovens.

E elas já começam a se preocupar que a “longa manus” do governo chegue a proibir o uso de turbantes.

Certo que o problema ainda está em discussão. Mas isso é o bastante para nos incomodar. Não só porque a França tem sido, ao longo do tempo, o país líder no lançamento da moda, mas porque tudo o que acontece na França acaba se expandindo para o resto do mundo.

E o nosso Brasil, pela decisão daqueles que trabalham no ramo da moda, tem estado entre os primeiros a adotar as novidades. Que, diga-se de passagem, geralmente são boas.

Curioso é que a França esteja agora debatendo algo tão prosaico como o uso da barba.

Além do mais, a França que tem estado sempre à frente dos direitos humanos, está neste momento, como que, mudando sua posição, para interferir com um direito estritamente individual.

Exemplo prático: eu tenho um filho que começou a usar barba na escola e cultiva-a ainda hoje. Se daqui a pouco ele decidir raspar a barba e eu me encontrar com ele sou capaz de não reconhecê-lo.

Nem por isso eu vou me imiscuir e aconselhar: Tire a barba ou deixe a barba.

P.S. – “O melhor amor é dos que podem se transfigurar, o dos que tem a natureza do camaleão.” (Betty Milan no livro “O amante brasileiro”.