Escrever é complexo. A gente começa aprendendo na escola primária, depois no ginásio, continua na Universidade e segue lendo o resto da vida não só para não esquecer mas para acompanhar as alterações que, de quando em quando, algum ilustre professor de língua portuguesa inventa. Veja bem, além do Brasil há inúmeros povos que adotam nosso idioma.
Há alguns anos atrás fui agradavelmente surpreendido com um convite da Unesco para proferir um curso de 15 dias. Onde? Na Guiné-Bissau. O que primeiro fiz foi consultar um atlas para ver onde ficava e, em seguida, fui informado que lá também se fala português. Não o nosso. O de Portugal. Não é o mesmo? Certo que sim. Mas e o sotaque?
Recordo que certa vez, estando em Portugal fui levado a conhecer um local típico de nome Portinho da Arrábida, onde todos falam português, mas como eu poderia dizer a eles que não os entendia? Nem uma frase, eventualmente nem algumas palavras, se usavam o nosso alfabeto? Aliás, mesmo em nosso país por vezes há problemas. Numa visita a Fortaleza, estando na Praça do Ferreira, pedi informação a um senhor que conversava num banco. Ele me respondeu e eu, com alguma dificuldade, compreendi. E enquanto olhava a direção que deveria tomar, ouvi ele falar com seu amigo: Que fala estranha, de onde será esse moço?
Língua estranha para o povo e complexa mesmo para os cultos. Vamos voltar à escola e aprender novamente as lições de gramática: fonética descritiva, fonética expressiva, onomatopéia, prosódia, ortoépia, parônimos, substantivo, adjetivo, artigo, verbo irregular, regular, anômalo, defectivo, causativo, sensitivo, metafonia, formas risotônicas (nada a ver com Santa Felicidade!) e arrizotônicas, conjugação de verbos, flexão, advérbios, preposição, conjunção, locução, interjeição, vocábulo, morfema, afixos, sufixos e prefixos, justaposição e aglutinação, palavras cognatas (ah sim, cognato é designativo de parentesco por cognação – perdão pelo cacófato, que quer dizer parentesco por parte das mulheres. Não confundir com cognição – aquisição de um conhecimento). E os objetos direto, indireto, objeto interno e preposicionado, elementos mórficos, palavras divisíveis, simples e compostas, composição e derivação parassintética, radicais gregos usados em português, famílias etimológicas de radical latino, estruturação sintática, objeto da sintaxe, sujeito, predicado, verbos transitivo e intransitivo (nada com o Detran), adjunto adverbial, aposto, vocativo, interrogação direta e indireta, orações coordenadas, conectivas, subordinadas e reduzidas (substantivas, adjetivas e adverbiais), orações reduzidas dependentes e… quando o gerúndio e o particípio não constituem oração reduzida? Simplificando para não avançar quilômetros: pronome indefinido e relativo, concordância nominal e concordância verbal (do vocábulo para o vocábulo e do vocábulo para o sentido). E mais, regência, semântica, estilística, versificação e… basta que ninguém é de ferro.
P.S. – Por que a escola não começa logo ensinando redação com a correção de erros eventuais? Não seria mais prático? Desculpem-me se já se faz assim. Estou falando do meu tempo, na verdade do meu saudoso tempo…
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