Na década de 50 a Editora O Estado do Paraná funcionava lá em baixo na Rua Barão do Rio Branco, já próxima da estação ferroviária, pertencia a dois sócios, Aristides Merhy e Fernando Afonso Alves de Camargo e editava o matutino O Estado do Paraná.

Eu, jovem idealista, iniciava no jornalismo com aquele sonhado ideal de concertar o mundo. Tinha em mente Arquimedes que ao inventar a alavanca, explodiu num grito de entusiasmo: “Dêem-me um ponto de apoio e levantarei o mundo”. Seria possível que com uma simples máquina de escrever eu fosse capaz de influenciar a vida da sociedade e imaginar diretrizes para definir os rumos do futuro universal? Uma cabeça jovem pensa longe e alto.

Na redação de O Estado do Paraná eu era o mais rápido. E isso foi observado pelo Fernando Camargo que gostava de sentar ao meu lado e acompanhar meu trabalho.

Certo dia ele me surpreendeu com um pedido e uma ordem. Disse-me: “Você é o melhor cabeça desta redação, bole um jornal para a gente vender 500 exemplares nas filas de ônibus no final da tarde”. Passados alguns dias ele me cobrou. “Não fez ainda, coisa simples, para vender 500 jornais no fim da tarde?”

“Perdão, Fernando, mas minha ideia é diferente”. “Como assim?” “Minha ideia é criar um jornal para Curitiba”. Escolhi alguns redatores e expliquei meu plano. Fiz a primeira reunião expondo minhas ideias inovadoras. “Pessoal, o prédio é o mesmo, o equipamento, a impressora, o chumbo” – pois só mais tarde veio o sistema off set que eu fui conhecer nos Estados Unidos, numa pequena cidade chamada Napa, já que os grandes jornais americanos tipo New York Times e Los Angeles Times usavam o método antigo (a novidade do off set abriu caminho pelos pequenos jornais). “Nosso jornal vai ter algo diferente: Por exemplo, na segunda página ‘Tribuninhas’”. “O que é isso?” “Uma coluna com notícias importantes em poucas linhas”. Fiz as primeiras para mostrar como devia ser. E “Triboladas”. “Que bicho é esse?” “Vamos ter pela primeira vez em nossa imprensa uma coluna de humor”. “Como assim?” Assim… e fiz as primeiras. Alguns dias depois o Hugo Santana chegou a mim com uma coluna pronta. “Ótimo Hugo, a coluna é sua”. E ele deslanchou…

E a Tribuna, cuja primeira edição foi lançada no dia 17 de outubro de 1956, deslanchou mais ainda. Saiu às ruas e conquistou de imediato o público leitor. Tornou-se em poucos dias o jornal preferido da população. Tanto que a editora tinha um sistema de transporte para levar O Estado às cidades do Paraná e logo recebeu solicitações para que enviasse também a Tribuna. O que provocou uma alteração. A Tribuna começou circulando no fim da tarde (ideia inicial) mas logo foi forçada a rodar mais cedo pois o pessoal das demais cidades queriam ler o jornal. Acredito que parte do êxito se deve às “Triboladas”. Foi de tal ordem o sucesso que, determinado dia fui surpreendido com um convite para fazer parte de um júri para escolher a garota mais bem bolada da noite curitibana. Essa noite foi, como se diz, de arrebentar a boca do balão.

Eu que sempre gostei de promoções, passei a lançá-las. Chuteira de Ouro para os melhores do futebol; Ferradura de Ouro para os melhores do turfe, Microfone de Ouro para os melhores do rádio. Mais rapidamente do que o esperado a Tribuna se tornou o jornal de maior circulação. Um dado interessante, em qualquer táxi que você entrasse encontrava uma Tribuna. E hoje ainda isso continua.

Não conquistou a elite. Nem era sua finalidade, mas tomou conta da classe média e do povo em geral… aquele jornal que era para vender 500 exemplares no fim da tarde se tornou fenômeno do jornalismo araucariano.