A ideia é boa e até parecia simples. Unificar os países da Europa, respeitando costumes, idiomas, sem alterar a história ou alterar futuros rumos, ou seja, fazer a Europa tão continental quanto o Brasil sem alterações radicais. E como toda agremiação passou a contar com uma liderança agora transferida da Bélgica para a Hungria do polêmico primeiro ministro conservador Viktor Orbán, com o problema de enfrentar a crise da Zona da Euro, da qual seu país se recusou a participar. Entusiasmado e lançando o slogan “Uma Europa Forte” vai logo decidir sobre o orçamento plurianual da UE e a polêmica a respeito da integração dos ciganos à vida nacional, além de uma prevista reforma dos meios de comunicação que já está sendo acusado de pretexto para censura à liberdade de expressão, proclamada como necessário em todos os cantos mas em todos eles sempre sob a ameaçã de detentores de poder que não se adaptam em conviver lendo críticas aos seus atos.
Alemanha e Luxemburgo anunciaram as primeiras preocupações. Viktor, certamente tranquilizado e ouvindo as deliciosas danças húngaras, afirmou tirar “tudo de letra”, nas suas palavras: “Nós, húngaros, somos especialistas em administrar crises”. Na nossa próxima crise seria interessante pedir para que nos auxiliasse. Ocorre que Sua Excelência terá incumbência de contornar as dívidas de grande monta que começa a tirar o sono até então tranquilo na Grécia, Itália, Espanha, Portugal, Irlanda e dificultar, esperam muitos, o ingresso de vários países que pretendem se unir a UE. Seu otimismo foi logo rebatido por aqueles que no ano de 2008 viram seu país estar à beira da falência, da qual só se livrou graças a empréstimos da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional com o que conseguiu reduzir seu deficit orçamentário de quase 10% para toleráveis 3,8%.
Viktor Orbán falou na integração de ciganos. Para nós pode parecer estranho chefe de Estado fazer essa referência em ato de tal solenidade. Sucede que na Europa vivem mais de doze milhões de ciganos. Algo inadmissível no mundo moderno. E a integração dessa gente (enquanto a ONU não tem poderes para destinar um pouco de terra que constituam um país) é providência que a maioria das nações imagina, torce, advoga mas pouco faz de concreto. Os tempos estão, todavia, melhorando. Houve momentos em que o acampamento cigano era visto como ameaça e temor. Isso foi superado. Mas como toda raça ninguém pode negar que eles têm direito e sonham em constituir uma nação. Quais seriam os impedimentos?… Foi-se a fase em que eles pediam nossa mão para falar sobre nosso destino e nós quando atendíamos era com desconfiança. Sabemos que são iguais a nós, logicamente alguns melhores outros piores em consonância com a geopolítica universal. Por instantes chego a imaginar se não seria mais conviniente, quiça com alguma harmonia pouco complicada, que a América do Sul fosse um único país. Quanta economia. Que a Europa igualmente o fosse. Economia maior. E por aí afora. Creio que ganhei asas e alcei uma viagem imaginária, mas não esqueçamos que assim muitas cabeças privilegiadas sonharam bem e prestaram enorme contribuição ao desenvolvimento da civilização. Se a Europa fosse unificada, estaria comprovando a probabilidade de uma radical alteração no mapa mundi, na minha visão para melhor. Menos despesas, menos eleições, menos rivalidade e a esperança de uma disneilândia global.
P.S-1- Todo poder que não se baseia na união é impotente, La Fontaine, in Le Vieillard et ses enfantas, verso primeiro. Na paz assim como na guerra é a união que conduz à vitória, George Rollenhagen in Froschmeuseler, volume três.Só em um mundo de homens sinceros é possível a união, Thomas Carlyle in Heros and Hero-Worship.
P.S-2- Como é bom aprender com lições do passado.
Deixar um comentário