Pouco a pouco, aqui e acolá, o mundo vai se cientificando da importância da televisão na vida moderna.
A primeira informação colhida já configura uma decepção. Em praticamente todos os países ocidentais a programação de televisão é elaborada visando conquistar a audiência das classes menos favorecidas. Ocorre que nos EUA, quiçá a mais importante nação do globo, a decisão de nivelar a televisão por baixo em busca do soberano Ibope já começa a ser combatida, inicialmente pelos homens de cultura e, seguidamente, pelos órgãos governamentais, estes nos limites legais, inadmissível que é qualquer forma de censura.

Sabe-se que a sociedade livre busca o desenvolvimento máximo do indivíduo e a televisão, atualmente, é o veículo de comunicação que oferece o maior potencial para estimular o desenvolvimento social e cultural, um veículo de impacto único e imediato. As crianças, e mesmo parte da juventude, passam maior tempo vendo televisão do que nas salas de aula e, dependendo do programa, com melhor atenção.

Abordar essa questão veio-me à ideia após assistir uma bem elaborada edição do Globo Repórter. Aliás, um dos poucos programas que assisto, além dos noticiários. Já suficiente para algum espírito crítico, data venia. Da programação é inútil reclamar já que ela é dirigida à maior parte do público e não ignoramos que nosso querido Brasil ainda criminosamente abriga uma multidão de analfabetos e, não menos mal, os alfabetizados, preguiçosamente, preferem sentar-se frente ao televisor a abrir um livro. Santa ignorância!…

E a linguagem da TV. Deformada, certamente por ser confiada a jornalistas, melhor dizendo profissionais acostumados a escrever para revistas e jornais. Nessa redação a regra é não ser repetitivo. Mas essa regra não cabe na televisão. O público da televisão é, digamos, ocasional, ou seja, liga a TV a qualquer momento com a programação em andamento. Então se a notícia informa que o governador fulano de tal baixou certo ato não pode em seguida dizer somente “o governador” já que aquele que acaba de ligar a TV fica perdido. A lição aplicada à imprensa não é idêntica a que se destina ao rádio e à televisão.

P.S. – Pensei em pleitear uma TV ao estilo alemão, pelo qual o cidadão paga uma taxa mensal mas está livre dos intervalos comerciais. Totalmente livre não, pois a TV tem um horário de 15 minutos, à noite, para publicidade, e, paradoxalmente, esse horário é de alto índice de audiência.