Vamos inicialmente fazer algumas perguntas: Qual é o mais importante Estado do nosso país? Qual é o Estado mais rico? De maior potência econômica e, simplificando, qual o Estado que ocupa o primeiro lugar e que é seguido não por um segundo, que estaria muito próximo, mas por um terceiro ou quiçá um quarto?
Todos já sabem e é sobre ele que vamos escrever: São Paulo!

E pela vez primeira vou exercer uma crítica a São Paulo, cidade brasileira que mais admiro (embora goste mais do Rio de Janeiro) por sua pujança mercantil, pela capacidade produtiva do seu povo, por seus restaurantes, teatros, meios de transporte e, afinal, pela sua estrutura só comparável às mais importantes cidades da terra. Se São Paulo fosse um país seria, certamente, do primeiro mundo.

Certo, os encômios já foram talvez até exagerados, propositadamente para preparar a crítica.

E, após pensar um pouco, vejam se não estou com a razão.

Um Estado, como tudo o que rapidamente lembramos e até mais, está agora botando a boca no trombone para reclamar. O “trombone” no caso é o jornal O Estado de São Paulo, sem dúvida o mais influente diário da América do Sul e cuja palavra é tão forte quanto a do governo do seu Estado. E esse poderoso porta-voz acaba de nos surpreender com a manchete: “A União põe dinheiro no metrô no país inteiro, nenhum centavo em SP”. (Ipsis verbis)

Ou seja: Ao anunciar, apenas anunciar, que deseja auxiliar Estados que ainda não dispõem de metrô, o governo federal já está sendo acusado de protecionismo e discriminação a ponto de SP ameaçar uma nova revolução. Eu até aceito que um jornalista paulistano de várias gerações, acostumado a viver em situação econômica privilegiada, possa temer por um futuro menos fácil, mas um jornal do porte e do conceito de O Estado de São Paulo, de circulação nacional e do qual sou assinante há não sei quantos anos, assuma essa posição e a defenda é, no mínimo, estranho.

Afinal, quem sou eu para contestar o Estadão, do qual sou admirador e leitor diário? Ninguém. Contudo, como humilde jornalista paranaense não me conformo com a notícia do jornal que assino e me prevaleço da nossa jovem democracia para botar a “boca no trombone”.